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«Só os sírios devem decidir quem é o seu presidente»

A afirmação é de Riad Tabara, membro de uma coligação pró-governamental que está a participar no Congresso de Diálogo Nacional. Com o encontro, que termina esta terça-feira na cidade russa de Sochi, os promotores pretendem fazer avançar o processo de resolução política na Síria.

Imagem de uma infra-estrutura destruída na Síria, que é alvo de uma guerra de agressão desde 2011
Imagem de uma infra-estrutura destruída na Síria, que é alvo de uma guerra de agressão desde 2011CréditosDmitriy Vinogradov / Sputnik News

«Ninguém devia interferir no processo relativo à presidência da Síria. Somos nós, sírios, que vamos decidir quem será o presidente do país», disse à imprensa Riad Tabara, membro de um partido que integra uma coligação que apoia o governo de Damasco.

Os países ocidentais – que, conjuntamente com Israel e outros países do Médio Oriente, são acusados de apoiar, financiar e treinar grupos terroristas na Síria – insistem que o presidente eleito do país árabe, Bashar al-Assad, deve ser afastado do cargo. A Turquia, co-organizadora do encontro em Sochi, também tem veiculado essa posição, enquanto a Rússia tem defendido que a escolha do chefe de Estado da Síria só diz respeito ao povo sírio.

Encontro «abrangente»

Staffan de Mistura, enviado especial das Nações Unidas para Síria chegou hoje à cidade russa de Sochi, junto ao Mar Negro, para participar num evento onde são esperados 1600 delegados da parte do governo de Damasco e de várias facções da oposição. Hoje é dia de chegadas e recepções; amanhã, dia de trabalhos propriamente dito.

Foram igualmente convidados a participar no encontro, como observadores, os países com assento permanente do Conselho de Segurança das Nações Unidas, bem como o Egipto, o Líbano, o Iraque, a Jordânia, o Cazaquistão e a Arábia Saudita, informa a Sputnik News.

O evento, co-organizado pela Rússia, o Irão e a Turquia, visa reunir o maior espectro possível de facções políticas sírias, bem como representantes de todas as etnias e crenças que compõem o país, além de organizações sindicais, artísticas e sociais.

Para Riad Tabara, é importante que todos – apoiantes e opositores do presidente Bashar al-Assad – se sentem à mesma mesa. Sublinhou ainda a ideia de «unidade nacional»: «Independentemente das nossas divergências políticas, devíamo-nos unir em torno de uma Síria unida», disse hoje em Sochi, citado pela Sputnik News.

Boicotes e presenças limitadas

O elevado nível de participação de delegados da oposição é um dos elementos sublinhados pelos organizadores do encontro, que tem como objectivo fundamental fazer avançar o processo de solução política no país árabe, propiciando as condições para criar uma nova Constituição e procurando alcançar resultados concretos – um aspecto em que não têm sido particularmente felizes as negociações de paz patrocinadas pelas Nações Unidas.

Outro dos temas a abordar será, segundo refere a Prensa Latina, a presença e a acção de militares norte-americanos no Norte da Síria, onde está a treinar grupos armados, recorrendo a combatentes curdos e, de acordo com algumas fontes, a membros do Daesh, reciclados.

Mas nem todas as facções da oposição se mostraram dispostas a participar no congresso. A Comissão de Negociações Sírias (CSN), apoiada pelos sauditas, anunciou que iria boicotar o encontro de Sochi, enquanto a presença dos curdos será «limitada», depois de as Unidades de Protecção Popular (YPG) também terem anunciado a sua ausência, em função da campanha militar que a Turquia está a levar a cabo contra os curdos, desde o passado dia 20, na região de Afrin (Noroeste da província de Alepo).

A Rússia anunciou desde o início que os curdos integravam a lista de convidados a participar no encontro, mas a Turquia opôs-se sempre a essa possibilidade.

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