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Síria rejeita acordo EUA-Turquia sobre «zona segura» no Norte do país

A diplomacia síria rejeitou esta quinta-feira o acordo entre turcos e norte-americanos para a criação de uma «zona segura» no Norte do país árabe, considerando que se trata de uma agressão à sua soberania.

Face aos grupos terroristas e seus apoiantes, o povo da Síria e o seu Exército estão determinados a preservar a segurança e a integridade territorial da sua pátria
Face aos grupos terroristas e seus apoiantes, o povo da Síria e o seu Exército estão determinados a preservar a segurança e a integridade territorial da sua pátria Créditos / misionverdad.com

O Ministério turco da Defesa e a Embaixada dos EUA em Ancara (capital da Turquia) anunciaram ontem ter chegado a um acordo no âmbito do qual vão criar um centro conjunto de operações, em território turco, para coordenar e gerir a criação de uma alegada «zona segura» na Síria.

Em declarações à agência SANA, esta quinta-feira, uma fonte oficial do Ministério sírio dos Negócios Estrangeiros afirmou que o seu país «rejeita categoricamente o acordo anunciado pelos ocupantes norte-americanos e turcos sobre a criação da chamada zona segura», sublinhando que constitui uma «violação flagrante da soberania e integridade territorial da Síria», bem como «dos princípios do direito internacional e da Carta das Nações Unidas».

Para o governo de Damasco, o «acordo evidencia claramente a cooperação entre os EUA e a Turquia na agressão à Síria», ao serviço «dos interesses da entidade ocupante israelita e das ambições expansionistas de Ancara».

Nota da Embaixada dos EUA em Ancara a dar conta do acordo Créditos

A fonte diplomática disse ainda que o povo da Síria e o seu Exército, que se sacrificaram pela defesa do país face aos grupos terroristas e seus apoiantes, «estão mais determinados a preservar a segurança e a integridade territorial da sua pátria».

Neste contexto, o funcionário sírio instou a comunidade internacional e as Nações Unidas a condenar esta «agressão flagrante», que constitui «uma ameaça para a paz e a segurança na região, e coloca entraves à tentativa de encontrara uma solução para a crise na Síria».

As autoridades sírias já tinha denunciado as negociações prolongadas entre EUA e Turquia visando a criação de uma zona desmilitarizada ao longo da fronteira turco-síria, depois de a Turquia ter ameaçado lançar uma nova ofensiva contra as mílicias predominantemente curdas das chamadas Forças Democráticas Sírias (FDS), aliadas de Washington e tachadas como «terroristas» por Ancara.

As milícias curdas das Unidades de Protecção Popular (YPG) são vistas pelo governo de Ancara como um prolongamento, em território sírio, do braço armado do Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK), que desde meados dos anos 80 luta contra as forças turcas por um Curdistão independente. Desde que se aliaram aos Estados Unidos no Norte e Nordeste da Síria, as «preocupações turcas» aumentaram consideravelmente e os atritos com Washington foram frequentes.

Damasco tem denunciado, de forma insistente a presença militar «ilegal» dos Estados Unidos no seu território, bem como a ocupação ilegal turca do Norte da província de Alepo e a presença de mais de dez mil soldados da Turquia na Síria.

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