Por via do Decreto 333 do Ministério das Finanças, o governo liderado por Antonio Kast ordenou um corte de 413 mil milhões de pesos (cerca 395,6 milhões de euros) no sector da saúde, o que afecta directamente mais de 80 unidades hospitalares, o Fundo Nacional de Saúde, bem como a disponibilidade de material e medicamentos.
O tema foi abordado esta segunda-feira numa reunião de dirigentes partidários da oposição, que contou também com a presença de vários representantes sindicais, refere o portal biobiochile.cl.
Paulina Vodanovic, presidente do Partido Socialista (PS), em cuja sede decorreu o encontro, manifestou a sua preocupação com os efeitos desta «mega-reforma, que evidentemente significa menos recursos para os chilenos», tendo-se referido concretamente ao impacto já sofrido por 80 unidades hospitalares em todo o país austral.
A dirigente do PS destacou que, se já era difícil satisfazer as necessidades dos utentes com os recursos que havia, mais difícil será agora, na sequência deste «decreto injusto», cuja revogação exigiu.
Por seu lado, o presidente do Partido Comunista do Chile, Lautaro Carmona, defendeu que o foco deve centrar-se em reverter uma medida que, em seu entender, atenta contra os direitos sociais. O dirigente comunista disse ainda esperar que as mensagens de alerta fossem lidas pelo governo de direita, de modo a haver uma outra perspectiva, «um olhar com sensibilidade para as questões sociais, com conhecimento de causa, de quanto afecta» a medida tomada.
Os cortes já se estão a sentir
Citada pela radio.uchile.cl, Karen Palma, vice-presidente da Confederação Nacional de Trabalhadores da Saúde (Fenats), avisou que a austeridade já se está a sentir nos centros de saúde e que «pode custar a vida das pessoas».
Referindo-se aos utentes do sistema público, Palma sublinhou que estes «já estão a ver como o corte orçamental afecta a sua vida quotidiana».
Em declarações à imprensa, a dirigente sindical afirmou ainda que as organizações entregaram ao executivo um documento, com o apoio do Colégio Médico (Colmed) e grupos de utentes a exigir o fim dos cortes nos cuidados primários e nos hospitais.
Caso os ministérios das Finanças e da Saúde não revertam as medidas que os sindicatos consideram lesivas para a saúde pública – visando conduzir à sua privatização –, as estruturas sindicais não põem de parte a possibilidade de convocar mobilizações a nível nacional.
O Colmed também rejeitou o Decreto 333, denunciando que os cortes orçamentais têm impacto nos cuidados de saúde primários, as contingências operacionais e a capacidade de resolução de problemas dos hospitais em todo o país, num contexto marcado por listas de espera crescentes e grande pressão sobre o sistema.
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