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«Escalada de abusos» contra presas palestinianas nas cadeias israelitas

Uma reclusa palestiniana acusou as autoridades israelitas de intensificarem as rusgas, os abusos físicos, a intimidação, a negligência médica e as privações contra as mulheres nas cadeias.

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Mulheres palestinianas presas numa cadeia da ocupação (imagem de arquivo) Créditos / palinfo.com

O testemunho de Shahd Muhammad Adi, de 23 anos, foi transmitido pelo advogado Hasan Abbadi e divulgado este sábado pelo Palestine Information Center.

Licenciada em Enfermagem e natural da cidade de Beit Ummar, no Sul da Cisjordânia ocupada, Adi encontra-se detida desde o final de Março e declarou que as mulheres palestinianas presas têm sofrido abusos cada vez mais severos da parte das forças prisionais israelitas.

Rusgas e intimidação

De acordo com o seu testemunho, os guardas prisionais invadiram as celas durante as orações, vendaram as reclusas, agrediram-nas e obrigaram-nas a retirar os seus jilbabs (espécie de túnicas), enquanto as expunham a temperaturas extremamente baixas.

Adi disse que a invasão «mais violenta» teve lugar a 13 de Maio último, quando as forças prisionais entraram na ala feminina na altura das orações nocturnas das reclusas.

Muhammad Adi disse que os guardas usaram granadas atordoantes e cães, as obrigaram a ficar deitadas no chão de cara para baixo, enquanto lhes apontavam armas, as insultavam e agrediam.

Referindo-se também ao confisco de cópias do Corão, a reclusa disse que a utilização de cães em incursões nocturnas se tornou uma prática recorrente dos guardas israelitas, na tentativa de as intimidar e aterrorizar.

Deterioração das condições de vida e saúde

Adi disse que as reclusas não têm acesso a cuidados médicos adequados, roupa suficiente ou produtos de higiene básica, e que as autoridades prisionais reduziram a qualidade e a quantidade da comida fornecida.

Neste contexto, alertou para a deterioração das condições de vida e de saúde das presas palestinianas no interior das cadeias israelitas, onde aumentam os casos de alergias e sarna.

O testemunho de Adi ocorre num momento em que várias organizações de defesa dos presos palestinianos denunciam uma escalada sem precedentes de rusgas nas alas femininas das cadeias israelitas. A Sociedade dos Presos Palestinianos (SPP) documentou este aumento nos últimos meses, bem como procedimentos humilhantes e violentos contras as mulheres presas.

Num relatório ao Conselho de Direitos Humanos da ONU publicado em Março deste ano, Francesca Albanese, Relatora Especial da ONU sobre a situação dos direitos humanos no território palestiniano ocupado desde 1967, referiu-se ao sistema prisional israelita como «um laboratório de crueldade calculada».

Albanese declarou que as políticas impostas por altos funcionários israelitas institucionalizaram a tortura, a punição colectiva e condições de detenção manifestamente desumanas.

Quase cem presas palestinianas

De acordo com os dados divulgados pela SPP, no início de Julho havia 99 mulheres palestinianas presas nas cadeias da ocupação, incluindo quatro menores e duas doentes oncológicas.

A mesma organização referiu que as forças sionistas prenderam mais de 770 mulheres na Cisjordânia e Jerusalém ocupadas desde o início da ofensiva genocida na Faixa de Gaza. No que respeita ao número de mulheres detidas no enclave, não há dados certos, lembra a Al Mayadeen.

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