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A revolução bolivariana defende-se

Realizou-se no centro de Caracas uma manifestação em defesa da paz e da Revolução Bolivariana. No mesmo dia a oposição pró-EUA realizou na capital da Venezuela o prometido «simulacro» da tomada do poder.

manifestação de apoio ao governo de Nicolás Maduro em Caracas, Venezuela, a 6 de Abril de 2019.
manifestação de apoio ao governo de Nicolás Maduro em Caracas, Venezuela, a 6 de Abril de 2019. Créditos / Mippci

O centro de Caracas encheu-se de venezuelanos em defesa da paz, pela continuação da Revolução Bolivariana e contra a ingerência estrangeira nos destinos do país.

Os manifestantes responderam ao apelo lançado durante a semana pelo Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV), secundado por outras organizações políticas e populares. Em telefonema para a cadeia venezuelana VTV, Dario Silva (PSUV) apelara à «Caracas rebelde» para se concentrar em três pontos diferentes da capital antes de «avançar a passos de vencedor» para o palácio presidencial de Miraflores.

Também Robdexa Poleo, das Juventudes do PSUV, reafirmou a disponibilidade da juventude revolucionária para «rechaçar as acções fascistas da oposição» a qual, afirmou, «na obsessão e ambição de poder», pretende rasgar a Constituição da República Bolivariana da Venezuela.

Ao apelo responderam milhares de venezuelanos este sábado, concentrando-se nas emblemáticas avenidas Libertador, Sucre e Nova Granada e daí desfilando para Miraflores, por entre palavras de ordem de apoio a Nicolás Maduro, de defesa das conquistas da Revolução Bolivariana, de apoio às medidas do governo e da Assembleia Nacional Constituinte (ANC) em defesa da soberania nacional e contra a ingerência estrangeira que está por trás da sabotagem eléctrica e das sanções que dificultam a vida do país.

Marcha pela paz e em apoio ao Governo Bolivariano, Caracas, Venezuela, 6 de Abril de 2019. Créditos

Oposição pró-EUA realiza «simulacro» para tomada de poder longe de Miraflores

Em declarações recolhidas pelo El País (Uruguai) em conferência de imprensa promovida por Juan Guaidó, a 28 de Março passado, o autodesignado «presidente interino» prometeu para 6 de Abril segundo aquele jornal, «o primeiro simulacro do plano Operação Liberdade, com o qual pensa tomar o palácio de Miraflores, sede do governo». Durante a conferência de imprensa, prossegue o El País, «Guaidó voltou a deixar aberta a possibilidade de uma intervenção militar na Venezuela».

A manifestação bolivariana de apoio a Nicolás Maduro marcada para o mesmo dia, porém, levou o opositor pró-EUA a evitar o palácio de Miraflores, preferindo marcar o «simulacro» na zona leste de Caracas, junto à Corporação Eléctrica Nacional, com o pretexto de marchar «para acabar com a escuridão» – numa referência aos apagões que têm atingido o sistema eléctrico venezuelano, que Caracas e a Rússia já denunciaram como tendo sido feitos por hackers informáticos e a partir de território norte-americano.

À última da hora, porém, mesmo esse objectivo foi alterado e a concentração dos seus apoiantes foi, segundo despacho da Lusa, «mudada da sede da Corpoelec, em El Marques, para o Centro Comercial Líder».

O tema do «apagão» voltou a ser a pedra de toque do discurso de Guaidó aos seus apoiantes, mas mais revelador foi o seu recuo relativamente à possibilidade de intervenção militar estrangeira, em que estaria interessado mas não avança por decisão dos amigos da Venezuela no estrangeiro.

A Lusa refere Guaidó como tendo dito hoje aos seus apoiantes «que "é prematura" uma eventual autorização a missões militares estrangeiras no país, para acelerar uma mudança de regime».

«Os nossos aliados disseram-nos que é prematuro. Temos dito, responsavelmente, que temos um plano e que temos construído as capacidades, mas os nossos aliados disseram que é prematuro», cita a Lusa.

O apelo a forças militares estrangeiras para actuarem no país vem dar razão ao governo da Venezuela nas acusações de traição à Pátria formuladas contra o «deputado em desobediência».

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