Num comunicado divulgado esta segunda-feira, o gabinete de imprensa do governo em Gaza reportou 3269 violações israelitas ao acordo nos 245 dias desde que entrou em vigor.
Como resultado dos ataques em curso, foram mortos 992 palestinianos e 3138 ficaram feridos. Além disso, foram detidas 95 pessoas.
No que respeita à «área humanitária», o comunicado apontou restrições severas à entrada de ajuda no enclave, uma vez que apenas foi autorizada a entrada na Faixa de Gaza de 52 740 camiões dos 147 mil previstos.
Até à data, a taxa de conformidade é de apenas 36%, afirmou o gabinete, sublinhando que estes números reflectem as restrições persistentes ao fluxo de ajuda, apesar das necessidades crescentes e críticas no terreno.
O texto destacou ainda o facto de a ocupação ter apenas autorizado a saída de 6845 pessoas das 19 600 previstas, através da passagem de Rafah (taxa de conformidade de 35%), limitando dessa forma a capacidade de «pacientes e casos humanitários acederem a tratamento médico».
Segundo refere o portal palinfo.com, as várias facções palestinianas exigiram aos mediadores e aos patrocinadores do acordo de cessar-fogo que tomem medidas urgentes no sentido de obrigar Israel a implementar todas as suas cláusulas e a cessar as contínuas violações, responsabilizando inteiramente a ocupação pela «constante deterioração das condições humanitárias» na Faixa de Gaza.
Diminuem os nascimentos e aumentam os abortos
O Centro de Gaza para os Direitos Humanos acusou Israel de provocar o colapso no número de nascimentos, ao mesmo tempo que disparam os casos de aborto no enclave costeiro, desde o início da ofensiva genocida, em Outubro de 2023.
Referindo-se a dados do Ministério da Saúde no território que apontam para um «declínio drástico e sem precedentes» no número de nascimentos nos últimos meses, a organização não governamental (ONG) denunciou em comunicado os efeitos da agressão sionista sobre a natalidade.
Em seu entender, existe um padrão sistemático que constitui «violência reprodutiva», que é uma forma do genocídio cometido contra o povo palestiniano, refere a agência iemenita Saba.
A este propósito, a ONG destacou que em 2022 nasceram 57 mil crianças na Faixa de Gaza, mais 3000 do que em 2023. No ano seguinte (2024), o número de nascimentos caiu para 38 mil, reflectindo uma «queda significativa em relação os níveis anteriores à guerra».
Em Abril último nasceram 2004 bebés, uma diminuição de 67% relativamente aos 6076 reportados em Novembro de 2025, sublinhou.
De forma paralela, o texto também destacou o aumento considerável de abortos reportados pelo Ministério da Saúde – 921 só em Abril, e uma taxa que equivale a 46% das gravidezes registadas.
O número de abortos chegou quase aos 6000 casos em 2025, e oscilou entre os 500 e 600 casos mensais nos primeiros cinco meses de 2026, refere o texto, sublinhando que estes dados representam um aumento exponencial em relação aos níveis anteriores à guerra genocida.
Contribui para uma boa ideia
Desde há vários anos, o AbrilAbril assume diariamente o seu compromisso com a verdade, a justiça social, a solidariedade e a paz.
O teu contributo vem reforçar o nosso projecto e consolidar a nossa presença.
Contribui aqui