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Se «as reformas são sagradas», a inacção do Governo é um sacrilégio

O Movimento Unitário de Reformados, Pensionistas e Idosos (MURPI) lançou um duro comunicado em que contesta as declarações do primeiro-ministro sobre o caráter «sagrado» das reformas, exigindo um aumento intercalar de 50 euros ainda este ano.
 

Reformados, pensionistas e idosos protestam durante uma tribuna pública promovida pelo MURPI em frente à Assembleia da República, para exigir o aumento intercalar das pensões, entre outras exigências. Lisboa, 21 de Maio de 2026 
 

Créditos António Pedro Santos / Agência Lusa

Num documento intitulado «As Reformas São Sagradas – Aumentem as Reformas!», a direcção do MURPI questiona a contradição entre o discurso governamental e a realidade vivida por milhares de reformados e pensionistas, aqueles que trabalharam uma vida toda e não são reconhecidos.

O centro da crítica do MURPI centra-se nas declarações do primeiro-ministro, Luís Montenegro, que afirmou que «as reformas são sagradas». «Se assim é, porque nega um aumento intercalar das reformas, que o MURPI reivindica e que deveria ter sido pago a partir de Julho?»,questiona o movimento.

A organização lembra que, apesar da retórica oficial, vários estudos têm comprovado que os actuais valores praticados não cobrem as despesas, forçando muitos reformados a escolhas dramáticas entre medicamentos e alimentação, num contexto em que a botija de gás já custa 38 euros e o combustível está está cada vez mais caro.

O comunicado denuncia ainda a «dependência» como um dos maiores desafios, referindo a falta de vagas em lares e a impossibilidade de pagar mensalidades elevadas, agravada pelos ataques ao Serviço Nacional de Saúd, que deixa a população mais idosa sem respostas adequadas para prevenção e acompanhamento de doenças.

O MURPI sublinha que «não deveria haver nada mais sagrado do que promover melhores reformas e pensões, mais saúde e equipamentos e mais serviços de apoio de qualidade», e acusa o Governo de promover retrocessos, nomeadamente nas alterações na política de Habitação, que afecta particularmente os idosos e reformados.

A direcção do movimento relembra ainda que «não há direitos que venham a ser oferecidos pelo Governo» e reafirma as seis reivindicações já apresentadas. Entre as exigências estão o aumento imediato de 50 euros para todas as pensões; o travão ao aumento dos preços dos bens essenciais; a defesa do SNS e da gratuitidade dos medicamentos, transportes públicos gratuitos em todo o país; uma rede pública de lares e mais apoio domiciliário; e o respeito pelo movimento associativo dos idosos.

«O respeito pelos mais velhos não precisa da propaganda do governo sobre as pensões, mas sim que estas aumentem em 50€ ainda este ano», conclui o comunicado, que promete continuar a luta «só com a luta dos reformados».
 

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