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Israel cimenta a ocupação de Gaza com barreira de terra

Imagens de satélite mostram que as forças israelitas estão a aprofundar a ocupação de Gaza com a construção de uma barreira ao longo da chamada «Linha Amarela», por vezes centenas de metros para lá dela.

Palestina Faixa de Gaza Israel ocupação
Israel está a aprofundar a ocupação da Faixa de Gaza, onde se agudiza a crise de saúde Créditos / TeleSur

De acordo com imagens de satélite divulgadas no passado dia 21 (analisadas por diversas fontes), Israel construiu mais de 23 quilómetros de barreira de terra a atravessar a Faixa de Gaza, dividindo fisicamente o território que ocupa.

Segundo refere o Drop Site News na sua conta de Twitter (X), aquilo que foi agora descoberto «confirma e amplia» o que havia sido noticiado em Janeiro deste ano, quando uma análise da Forensic Architecture revelou que Israel tinha começado a transformar a chamada «Linha Amarela» numa barreira física de aterros elevados.

Em Maio último, o Drop Site noticiou que estes aterros se tinham transformado num muro praticamente contínuo, estendendo-se muitas vezes para oeste da linha referida e entrando em «território palestiniano».

A novidade agora é que, confrontados com as imagens pela Associated Press (AP), responsáveis das forças israelitas confirmaram pela primeira vez que construíram a barreira e que criaram uma «zona de segurança».

O Drop Site News destaca igualmente o rápido avanço dos trabalhos de construção em Julho, com o troço da barreira que divide a zona devastada de Rafah das tendas de Mawasi a passar de 500 metros para 2,4 quilómetros apenas nos primeiros quinze dias deste mês.

A barreira cria um limite físico ao longo da dita «Linha Amarela», que era uma divisão temporária estabelecida no âmbito do chamado «cessar-fogo» alcançado em Outubro de 2025. As tropas israelitas ficavam a leste dessa linha antes de se retirarem por completo do enclave palestiniano.

Em vez disso, as forças sionistas foram avançando gradualmente para lá desse limite, erguendo postos avançados ao longo da linha e cimentando cada vez mais a sua presença no território, que controlam agora em cerca de 65%.

Construção e devastação avançam rapidamente

Numa zona do Sul de Gaza – referem The Cradle e TeleSur – a barreira prolonga-se para lá da «Linha Amarela» mais de um quilómetro; em Khan Yunis, outra parte da barreira fica 400 metros para lá da dita linha, atravessando a estrada Salah al-Din, que liga o Norte e o Sul do enclave; em Rafah, a barreira ultrapassa a linha em cerca de 1300 metros numa zona concreta.

As imagens de satélite confirmam igualmente que as forças de ocupação têm devastado de forma sistemática grande parte do território à volta da «Linha Amarela», arrasando localidades inteiras, destruindo terras agrícolas, traçando novas estradas e construindo bases militares sobre as ruínas das comunidades palestinas.

Crise de saúde agudiza-se

À medida que a ocupação israelita da Faixa de Gaza se prolonga, agrava-se a crise de saúde no território que foi desencadeada pela ofensiva genocida. Desde Outubro de 2023, os ataques israelitas destruíram por completo dezenas de hospitais e centros de saúde, provocando o colapso do sector e levando à propagação de doenças infecciosas graves.

Actualmente, um novo vírus de varicela está a alastrar pelo território palestiniano sitiado e ocupado, com a organização Doctors in Gaza a registar quase dez mil casos nos campos de deslocados.

«A situação requer uma intervenção urgente. São necessários medicamentos, materiais médicos e serviços de prestação de cuidados de saúde antes de que a crise se agrave», afirmou Mohammad Abu Afash, director da Ajuda Médica na Faixa de Gaza.

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