«Neste momento, controlamos totalmente 60% do território da Faixa de Gaza… e a minha directriz é chegar aos… 70%», disse Netanyahu numa conferência levada a cabo num colonato ilegal na Cisjordânia ocupada, esta quinta-feira.
Quando um elemento do público gritou que Israel devia ocupar a totalidade de Gaza, Netanyahu respondeu: «Vamos por partes», dando a entender que este é o objectivo a longo prazo. «Primeiro, 70%», disse, citado por The Cradle. «Começaremos por aí.»
Na semana passada, Netanyahu reconheceu publicamente as informações vindas a público de que as forças israelitas ocupam actualmente 60% do território da Faixa de Gaza, uma percentagem significativamente superior aos 53% permitidos nos termos do cessar-fogo assinado o passado com a resistência palestiniana.
Desde então, as tropas israelitas continuaram a avançar para oeste, em direcção a áreas desocupadas, ao mesmo tempo que alargam aquilo que alegam ser uma «zona tampão» na qual a circulação é restrita. Muitos civis foram mortos simplesmente por estarem nas imediações dessa zona.
O acordo de cessar-fogo, anunciado em Outubro com grande pompa pela administração norte-americana, tinha entre os objectivos declarados travar a guerra e facilitar a entrada de ajuda humanitária, alimentos, combustível e medicamentos no enclave.
No entanto, com o apoio dos EUA, a ocupação não só tem mantido o bloqueio em grande medida – mantendo as condições humanitárias em situação catastrófica no território densamente povoado –, como deu sequência aos ataques aéreos e aos bombardeamentos, matando mais de 900 palestinianos no período da trégua.
Ministro confirma planos israelitas de limpeza étnica
Na quarta-feira, o ministro da Defesa, Israel Katz, declarou em comunicado que iria implementar um plano para que um grande número de palestinianos saia da Faixa de Gaza «no momento certo e da forma adequada».
De acordo com o ministro, o objectivo a longo termo do executivo sionista é fazer com que grande parte da população palestiniana saia do enclave por via daquilo a que chamou «migração voluntária».
Num comunicado divulgado esta quinta-feira, a resistência palestiniana afirmou que as «declarações criminosas» de Katz evidenciam claramente que a ocupação não respeita de facto o acordo de cessar-fogo e que tem a intenção premeditada de o revogar e de se esquivar às suas obrigações sempre que o considere conveniente, refere o portal palinfo.com.
De acordo com o Ministério da Saúde em Gaza, desde o início do cessar-fogo, a 10 de Outubro último, até esta quinta-feira pelo menos 922 palestinianos foram mortos como resultado dos ataques da ocupação e 2786 ficaram feridos.
As mesmas fontes, citadas pela Wafa, revelam que, desde Outubro de 2023, as forças de ocupação mataram pelo menos 72 819 palestinianos e feriram 172 894, enquanto milhares continuam desaparecidos sob os escombros.
Imagens de satélite analisadas pela ONU mostram que, entre Outubro de 2023 e Outubro do ano passado, 81% de todas as infra-estruturas na Faixa de Gaza tinham sido atingidas pelos ataques e bombardeamentos da ocupação sionista.
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