Zaher al-Wahidi, director do Departamento de Informação do ministério, revelou esta segunda-feira que, «todos os dias, morrem entre seis e dez pacientes à espera de viajar para o estrangeiro para tratamento».
Disse ainda que havia pelo menos 195 casos classificados como de risco de vida e alertou que, se estas pessoas não fossem retiradas nas horas seguintes, as suas vidas poderiam estar em perigo, indica o Middle East Eye.
Acrescentou que há mais 1971 casos urgentes que requerem uma evacuação no espaço de semanas, para assim evitar as mortes.
Dos cerca de 20 mil pacientes que precisam de viajar ao estrangeiro, al-Wahidi referiu que 4000 são menores de idade e que outros tantos são pacientes oncológicos.
Frisando que, em todo o mês de Fevereiro, apenas 490 doentes puderam sair do enclave, o responsável disse: «Necessitamos de evacuar 400 diariamente, e pelo menos 200, no mínimo, o que permitiria acabar com a lista de pacientes e feridos num prazo de seis meses.»
As restrições impostas por Israel às evacuações médicas na Faixa de Gaza intensificaram-se no contexto da guerra de agressão israelo-norte-americana ao Irão, com as autoridades da ocupação a encerrarem por completo a passagem a 28 de Fevereiro.
Recentemente, a 19 de Março, as operações de evacuação foram retomadas mas com grandes limitações. Al-Wahidi explicou que os doentes enfrentam muitos problemas para sair, incluindo os procedimentos longos e complexos que a ocupação lhes impõe, e as repercussões da guerra contra o Irão.
Uma provação mais no contexto do bloqueio
As evacuações médicas da Faixa de Gaza são, desde há muito, uma provação difícil para milhares de palestinianos devido ao cerco israelita ao território.
Desde o início da guerra genocida de Israel contra o enclave, estas limitações aumentaram, sobretudo com a ocupação a assumir o controlo da passagem de Rafah e zonas circundantes, em Maio de 2024.
A reabertura da passagem de Rafah, que é há muito exigida pelas Nações Unidas e por organizações humanitárias, foi concretizada a 2 de Fevereiro último, em ambas as direcções, no âmbito do acordo de cessar-fogo em vigor desde 10 de Outubro do ano passado.
No entanto, mesmo antes dos ataques militares israelitas e norte-americanos ao Irão, o gabinete de imprensa do governo no enclave palestiniano denunciou reiteradamente o incumprimento dos termos do acordo pela parte israelita, nomeadamente no que respeita à entrada de ajuda, bens essenciais e combustível, bem como às obrigações do protocolo humanitário.
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