Menos de três semanas depois, o ministro da Educação voltou ao Parlamento, pela quarta vez num mês, e na sua intervenção de abertura foi igual a si mesmo, mantendo-se fiel a um alegado sucesso que originou um autêntico caos nas avaliações dos Exames Nacionais.
Se no quadro da argumentação, Fernando Alexandre introduziu novidades, ao defender que «este caminho não começou agora, tendo sido dados passos ao longo de anos por Governos da AD e Governos do Partido Socialista», no quadro da abnegação nada mudou.
Embora o ministro tenha reconhecido que a digitalização «não decorreu de forma esperada e desejada» e que «a implementação inicial deste processo revelou constrangimentos operacionais e tecnológicos que reconhecemos», o ministro continuou a defender um processo mal aplicado e não fez nenhuma referência às empresas privadas que foram contratadas para lucrar com o desastre ocorrido. Veja-se que os contratos públicos celebrados com a Deloitte relativos à digitalização e correcção de falhas nos exames nacionais já ultrapassam os 2,6 milhões de euros em 2026.
Ficou, de resto, comprovado que Fernando Alexandre considera que tudo se resolve com um «lamento» e um «já pedi desculpa publicamente», até porque insistiu na receita: «Foram ainda adoptadas medidas de protecção dos alunos, possíveis graças ao método de classificação digital», vincou, considerando que «para garantir a equidade e o respeito pelos direitos dos alunos foi ainda criada uma época de exames nacionais no início de Setembro.» Face a este facto, ausente do discurso do responsável da tutela esteve a existência de uma nova fase que obrigou ao adiar do início do ano lectivo a comprovação de um fracasso decorrente da política levada a cabo pelo Governo.
Se tal não fosse suficiente, e apesar dos professores classificadores terem reportado problemas iguais aos que enfrentaram na correcção das provas na primeira fase, o ministro afirmou que «as melhorias e correcções introduzidas no processo de digitalização e classificação electrónica dos Exames Nacionais estão a produzir efeitos, como demonstra a forma como tem decorrido a segunda fase, com normalidade e tranquilidade, sem agitação, sem perturbação, sem ruído».
Já sobre as ilacções políticas a retirar do processo, para Fernando Alexandre, «a responsabilidade política traduz-se, antes de mais, na capacidade de enfrentar problemas, encontrar soluções, tomar decisões e, no final, prestar contas». Desta forma, o ministro voltou a ignorar o motivo da sua ida ao Parlamento, dando a entender que está acima de todo o escrutínio.
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