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Quem agride os sírios «não pode esconder o crime com uma falsa máscara humanitária»

A Conferência de Bruxelas e os posicionamentos nela assumidos confirmam a insistência de EUA, UE e «regimes subordinados» nas políticas hostis contra a Síria, denunciou a diplomacia do país árabe.

Uma refugiada síria e os seus filhos preparam-se para regressar a casa, em 3 de Julho de 2018.
Uma refugiada síria e os seus filhos preparam-se para regressar a casa, em 3 de Julho de 2018. CréditosRuth Sherlock/NPR. Fonte: WUWM 89.7

«Tais políticas foram abortadas e o seu fracasso foi provado», afirma o Ministério sírio dos Negócios Estrangeiros num comunicado hoje emitido, em que condena a realização da quarta Conferência de Bruxelas sobre a Síria, também referida como Conferência de Doadores.

O texto refere-se ao encontro como «uma flagrante interferência nos assuntos internos sírios, que são da competência e jurisdição dos sírios e do seu governo legítimo», sublinhando que «a única ajuda que estes regimes podem dar aos sírios é deixar de apoiar o terrorismo» no país, «ao implementar a resolução n.º 2253 do Conselho de Segurança das Nações Unidas», informa a agência SANA.

«Estes regimes, que deram todas as formas de apoio ao terrorismo, participaram no derramamento de sangue dos sírios, destruíram as suas conquistas, têm estado a roubar as riquezas petrolíferas, o trigo e as fábricas, impedem o processo de reconstrução e impõem sanções sucessivas, estes regimes não podem de modo algum alegar que se preocupam com os sírios», afirma o Ministério.

No âmbito da Conferência de Bruxelas, co-organizada pela União Europeia (UE) e pela ONU, o líder da diplomacia europeia, Josep Borrell, pediu «um processo político que permita uma Síria pacificada, democrática e estável», considerando que o futuro do povo sírio «continua refém e a Europa não pode desviar o olhar».

Na nota de hoje, a diplomacia do país árabe destaca que «o futuro da Síria é um direito exclusivo dos sírios» e que as «pressões políticas e económicas não conseguirão minar a livre vontade dos sírios». Indica, além disso, que «o conceito de mendicidade, que muitos praticam, não tem lugar no comportamento político e diplomático» do país árabe.

«Quem comete crimes contra os sírios assume a total responsabilidade pelo seu sofrimento», indica o comunicado, defendendo que esses «não poderão esconder os seus crimes por trás de uma falsa máscara humanitária ou por via da flagrante politização do aspecto humanitário ao serviço das suas agendas».

Em declarações a um jornal, esta terça-feira, o ministro assistente dos Negócios Estrangeiros, Ayman Sousan, afirmou que o seu país não reconhece conferências sobre o país cujos promotores nem sequer convidam as autoridades sírias a participar.

Sousan afirmou que, sob a Conferência, está «a cumplicidade dos países organizadores da guerra e do complô» contra a Síria, destacando que os países participantes usam uma «toalha humanitária para limpar as mãos sujas com o sangue dos inocentes sírios», indica a Prensa Latina.

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