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Protesto pela paz exige fim às agressões à Síria

Cerca de 200 pessoas manifestaram-se esta quinta-feira, em Lisboa, numa concentração pela paz, mas também de repúdio contra a recente agressão ilegal dos EUA, França e Reino Unido à Síria.

O fim das ingerências externas na Síria foi uma das reivindicações ouvidas no protesto
O fim das ingerências externas na Síria foi uma das reivindicações ouvidas no protestoCréditosNUNO FOX / LUSA

Quem passasse ontem pelo Largo Luís de Camões, ao final da tarde, encontrava um cenário de que provavelmente não estava à espera: uma quantidade anormal de pessoas, com bandeiras ou pancartas nas mãos, a gritar palavras de ordem como «A paz é urgente, no Médio Oriente» ou «Fim à agressão! Mais guerra não».

O acto público «Pela Paz! Fim à agressão à Síria» – subscrito por 30 organizações – serviu para condenar a escalada bélica contra a Síria e o ataque recente dos EUA, do Reino  Unido e da França, realizado no passado dia 14, concretizado com o lançamento de mais de cem mísseis e que contou com o apoio expresso da NATO, da União Europeia e de Israel.

Uma «agressão a um Estado soberano, em completo desrespeito pelos princípios da Carta das Nações Unidas e pelo direito internacional, e sob o pretexto de uma alegada utilização de armas químicas», realizado horas antes de os investigadores internacionais entrarem na Síria. Uma acção «desencadeada quando foram alcançados, pelo diálogo e esforços de vários países, importantes avanços no caminho da paz», lê-se no apelo conjunto.

Entre as 30 organizações subscritoras, tiveram a oportunidade de falar representantes do Conselho Português para a Paz e Cooperação (CPPC), da CGTP-IN, do Movimento pelos Direitos do Povo Palestino e pela Paz no Médio Oriente (MPPM) e do Movimento Democrático de Mulheres (MDM).

Dois pesos e duas medidas

Augusto Praça, da secção internacional da CGTP-IN, salientou que é caricato que os mesmos países que lançam bombas, com pretextos humanitários, sejam os mesmos que estão agora calados quanto à guerra impiedosa da Árabia Saudita no Iémen, além de fornecerem armas e apoio ao agressor. «Aí ninguém intervém», afirmou.

«Quem quer a verdade sobre o alegado ataque com armas químicas, que, recorde-se, não foi comprovado, não ataca a Síria com mais de 100 mísseis de cruzeiro horas antes de a equipa de peritos da ONU, a convite do governo  sírio, começar a sua investigação», afirmou Filipe Ferreira do CPPC.

Um ataque promovido pelos mesmos países que já foram sucessivamente apanhados a agir ilegalmente na Síria e a «promover, contra o povo sírio, vários grupos terroristas que criaram, armaram e apoiam», afirmou o activista pela paz. Reiterou ainda não estar esquecido das «guerras de agressão realizadas no Iraque e na Líbia, na mais descarada mentira e propaganda de guerra», com resultados bem à vista.

Entre as várias intervenções, de certa forma consensuais, ficou claro que quem sofre mais com o prolongamento do conflito e a escalada militar é o povo sírio. Havendo uma possibilidade concreta de paz, esta «só pode ser alcançada com o pleno respeito pela soberania, independência e integridade territorial deste país», frisaram.

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