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Protesto em Janeiro contra novo aumento dos preços dos transportes em São Paulo

O Movimento Passe Livre (MPL) convocou uma manifestação para o dia 7 de Janeiro, em frente à Prefeitura, contra um novo aumento do preço dos transportes que põe em causa «o direito à cidade».

Créditos / MPL

No texto do evento no Facebook, o MPL frisa que, ao longo do ano, houve cortes no número de abrangidos pelos descontos, redução da frota de autocarros e o veto do prefeito Bruno Covas (PSDB) à lei que daria o passe gratuito para estudantes. 

O aumento será de 2,33%, abaixo da inflação anual, que de acordo com o IPCA-IBGE está em 3,27%. No entanto, no início de 2019, a tarifa foi reajustada em 7,5%, percentagem muito acima da inflação de 2018, de 3,7%. Isso significa que, em apenas 12 meses, o aumento da tarifa do transporte colectivo será de aproximadamente 10%.

Gabriela Dantas, activista do MPL, condena o aumento dos preços. «É um ataque muito grave dos governantes contra a maior parte da população. Uma população trabalhadora que depende desse transporte colectivo para se deslocar, para estudar, para trabalhar, para procurar emprego», afirma. A activista lamenta que, em cenário de grave crise socioeconómica, seja esta a política adoptada pela prefeitura e pelo governo do Estado. 

«A resposta é mais uma vez jogar na conta dos mais pobres para manter o lucro dos mais ricos. Sabemos que esse aumento de tarifa, diferente do que eles argumentam, não é uma coisa inevitável, que precisava de acontecer. Isso é uma escolha e uma escolha política, de quem  vai pagar a conta dessa situação», denuncia a activista.

Segundo a São Paulo Transporte, a redução de passageiros do sistema de autocarros exige um ajustamento tarifário, já que a arrecadação não foi maior devido à gratuidade para estudantes, idosos e pessoas com deficiência.

Porém, de acordo com reportagem da Rede Brasil Atual, a receita tarifária tem aumentado. Em 2017, foram arrecadados R$ 4,7 bilhões de reais (cerca de 1,04 mil milhões de euros) com a tarifa dos autocarros. Em 2018, foram R$ 4,9 bilhões e, para 2019, a estimativa é de R$ 5,4 bilhões.

Para Rafael Calabria, investigador de mobilidade urbana do Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec), não há justificação para um aumento dos preços.

«Dados económicos de custos não justificam aumento de tarifa. O sistema é deficitário em todas as cidades do mundo e a prefeitura não agiu para procurar alternativas de financiamento ao sistema. A perda de passageiros deve-se principalmente ao custo da tarifa. Um novo aumento só vai levar a mais perda de passageiros num círculo vicioso», afirmou em entrevista à RBA.

Diariamente, 8,3 milhões de passageiros são transportados nas 13 linhas disponíveis no Metro e na CPTM e 8,8 milhões nos autocarros da capital. Análise feita pelo Estadão em Janeiro deste ano mostrou que quem usa metro e autocarro para ir e voltar do trabalho, gasta até um terço, ou seja, 33%, de um salário mínimo. 

Segundo Gabriela Dantas, o aumento da tarifa prejudica a população mais pobre do estado. «O transporte deveria ser um direito. Não tem cabimento pagarmos cada vez mais caro por uma coisa que deveria ser acessível para todos». A activista do MPL acrescenta que, ao excluir parte da população do acesso ao transporte, o acesso à cidade também é comprometido, seja para ir a um hospital ou para frequentar espaços de lazer.


Com Brasil de Fato

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