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|Saara Ocidental

Presos saarauís em greve de fome sofrem retaliações de Marrocos

Nove presos saarauís, que entraram em greve de fome a 23 de Setembro, sofrem retaliações das autoridades marroquinas, levando várias organizações a alertar para as condições em que se encontram.

Acampamento de Gdeim Izik, no Saara Ocidental, em 2010 Créditos / imd.org.ar

No seu portal, a Associação de Amizade Portugal-Sahara Ocidental (AAPSO) sublinha que, «menos de uma semana depois, as notícias são graves» – referindo-se às medidas de retaliação das autoridades marroquinas contra os presos saarauís que entraram em greve de fome no passado dia 23 de Setembro.

«As comunicações com as famílias foram cortadas em muitos casos e os presos começaram a ser dispersos, sem qualquer aviso, por outros locais de detenção», refere uma nota da AAPSO, acrescentando que, «devido à falta de condições sanitárias e de cuidados médicos, a saúde dos presos tem-se deteriorado rapidamente». 

De acordo com informação da Equipe Media (agência de notícias saarauí que opera informalmente no território ocupado), Mohamed Bani, um dos presos, viu-se obrigado a interromper o protesto após sofrer uma forte queda da pressão arterial, tendo sido levado para a enfermaria da prisão de Ait Melloul 2.

Por seu lado, a Liga para a Protecção dos Presos Saarauís nas Prisões Marroquinas (LPPS) expressa grande preocupação com o estado de saúde de Brahim Ismaili, que «tem piorado drasticamente», sabendo-se que «as condições sanitárias e de atenção médica são péssimas». 

Já as famílias de Sidi Bachir Boutenguiza e de Ahmed Sbaai confirmaram ter perdido o contacto com eles há mais de uma semana; o último telefonema recebido de Naâma Asfari foi a 21 de Setembro; a família de Abdallah Sidi Abbahah afirmou que os responsáveis da prisão impediram o seu sobrinho de o visitar, tendo-lhe sido dito que «tinha sido tomada a decisão de proibir todas as visitas».

Por seu lado, o jornalista saarauí e prisioneiro político Bachir Khadda foi transferido para uma prisão em El Aiun, não havendo ainda notícias sobre o modo como isso ocorreu nem sobre o seu estado actual. Já a família de Hassan Dah, após horas de espera por uma visita, foi informada da sua transferência para a prisão de Ben Guerir.

A LPPS anunciou ainda que o preso político Mohamed Bourial, também membro do Grupo de Gdeim Izik e detido na prisão de Ait Melloul 1, decidiu fazer uma greve de fome de 48 horas, com início a 29 de Setembro, em apoio aos seus colegas, apesar das suas condições de saúde muito precárias.

Naâma Asfari e a greve de fome retomada

No seu portal, a AAPSO lembra que o preso saarauí Naâma Asfari, «arbitrariamente condenado a uma pena de 30 anos, iniciou a 8 de Junho de 2026 uma greve de fome por tempo indeterminado», que suspendeu 47 dias depois, a 24 de Julho, tendo em conta as promessas da Delegação Geral Marroquina para a Administração Prisional e a Reintegração de que algumas das suas reivindicações poderiam ser atendidas.

Duas delas foram-no, de facto: a retoma do contacto telefónico de quatro minutos por semana com a sua mulher, Claude Mangin, a quem não são permitidas visitas há dez anos; e a autorização para uma consulta de oftalmologia, pedida há uma década.

No entanto – explica a nota –, as principais razões que o haviam levado a recorrer à greve de fome permaneceram, pelo que, a 23 de Setembro, nove presos encarcerados em três cadeias lhe seguiram os passos.

Objectivos do protesto

Entre os objectivos que enunciaram, conta-se o de «obrigar o Estado ocupante marroquino a aplicar as decisões dos mecanismos convencionais das Nações Unidas que o condenaram explicitamente por tortura sistemática e confirmaram o carácter arbitrário da nossa detenção».

Também o de «denunciar as graves violações dos direitos humanos de que são vítimas os prisioneiros civis saarauís nas diferentes prisões do ocupante», como torturas, longos anos em celas de isolamento, a privação de cuidados médicos ou a privação do direito a serem transferidos para cidades do Saara Ocidental.

Pretendem ainda solicitar ao Conselho de Segurança da ONU que «alargue o mandato jurídico da Missão das Nações Unidas para a Organização do Referendo no Saara Ocidental (MINURSO), de modo a incluir a vigilância e a protecção dos direitos humanos, bem como a documentação de todas as violações graves cometidas contra civis saarauís desarmados na parte do território sob ocupação marroquina».

Do mesmo modo, solicitam que o Comité Internacional da Cruz Vermelha possa aceder de imediato e sem condições ao território, para assim cumprir as suas missões humanitárias, que «consistem em proteger a população civil e visitar as prisões e os locais de detenção».

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