De acordo com o texto, a que a Algeria Press Service (APS) faz referência, o prisioneiro exige a implementação do parecer do Grupo de Trabalho das Nações Unidas sobre Detenção Arbitrária e leva a cabo esta acção na sequência de uma série de greves de fome que não foram atendidas pelas autoridades marroquinas.
A associação recorda que esse grupo de trabalho da ONU concluiu, num parecer de 2023, que a detenção dos prisioneiros saarauís do grupo de Gdeim Izik era arbitrária, tendo apelado à sua libertação.
Sublinha que as condenações proferidas contra estes detidos se baseiam em confissões obtidas sob tortura, conforme constatado pelo Comité das Nações Unidas contra a Tortura.
O comunicado aponta ainda «grave negligência médica» e «represálias sistemáticas» contra os presos saarauís.
Estas práticas marroquinas são denunciadas e documentadas no relatório de 2025 intitulado «Sem Tratamento... Sem Visitas... Sem Justiça», publicado pela Liga para a Protecção dos Presos Políticos Saarauís nas prisões marroquinas.
No texto, a Associação dos Amigos da República Árabe Saarauí Democrática (RASD) reiterou o seu apelo à libertação de todos os presos civis saarauís do grupo de Gdeim Izik e expressou todo o seu apoio à «luta pela dignidade» de Naama Asfari.
Considerando que os quinze anos de detenção arbitrária destes presos constituem uma situação de «extrema gravidade», a associação solicita aos estados partes envolvidos, particularmente a França, bem como às instituições das Nações Unidas e às organizações de defesa dos direitos humanos que intervenham junto das autoridades marroquinas no sentido de pôr termo a esta situação de ilegalidade.
Na ONU, denúncia do confisco de terras e das violações dos direitos humanos
O Colectivo de Defensores Saarauís dos Direitos Humanos no Saara Ocidental (Codesa) denunciou este sábado, junto da Comissão de Descolonização da ONU, as graves violações dos direitos humanos nos territórios sob ocupação marroquina, dando especial ênfase ao confisco de terras, à demolição de casas e aos perigos das minas terrestres.
Teyeib Malijaf, da Codesa, afirmou que as expropriações nas zonas rurais e costeiras têm como fito entregar as terras a investidores estrangeiros e, desse modo, alterar a demografia local, para consolidar e internacionalizar a ocupação económica do território.
Segundo refere a Sahara Press Service (SPS), a organização não governamental alertou para a perda de terras tradicionais, bem como para o perigo persistente das minas colocadas pelas autoridades da ocupação. A este propósito, apontou a morte de uma menina de quatro anos e de um jovem em Maio último em El Gurariat, na sequência da explosão de uma mina.
Neste sentido, a Codesa exigiu às Nações Unidas que ponham termo à «exploração irracional» e ao «contínuo e desmedido espólio» dos recursos naturais saarauís. Também instou estados e empresas estrangeiras a não operarem no território sem o «consentimento explícito do povo saarauí», que, frisou, é o «único titular da soberania» sobre os seus recursos.
Solicitou ainda à ONU que envie de forma urgente missões independentes para verificar «as violações ligadas à propriedade da terra», e que as Nações Unidas assumam as suas responsabilidades «legais e éticas» de protecção dos direitos do povo saarauí, até que a descolonização e a independência sejam consumadas.
Contribui para uma boa ideia
Desde há vários anos, o AbrilAbril assume diariamente o seu compromisso com a verdade, a justiça social, a solidariedade e a paz.
O teu contributo vem reforçar o nosso projecto e consolidar a nossa presença.
Contribui aqui