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|Argentina

Apresentada obra em Buenos Aires sobre cinco décadas de exílio saarauí

O livro Habitar a espera, da fotógrafa Emilia Messa, centra-se no exílio forçado do povo saarauí. Apresentado na capital argentina este fim-de-semana, já se encontra à disposição dos leitores.

Argentina Saara Ocidental fotografia solidariedade
A obra 'Habitar la espera', de Emilia Messa, foi apresentada na capital argentina Créditos / SPS

Na sessão de apresentação, a autora explicou como a sua obra foi concebida, e falou do profundo impacto que teve a sua visita aos campos de refugiados saarauís, em 2023. 

Apesar da importância dessa visita aos Acampamentos da Dignidade, o processo não começou então. Emilia contou que tinha conhecido a luta do povo saarauí pela independência cerca de uma década antes, através da música, da voz de Mariem Hassan.

Desde essa altura, propôs-se dar visibilidade à causa e, para tal, tinha de se preparar, disse a autora na presença do muito público que, no sábado, encheu a sala da Federação de Associações Galegas da República Argentina.

Foram necessários estudos prévios de fotografia documental e, nesse processo, Messa formou-se juntamente com a antropóloga Andrea Chame, que a acompanhou na pré-produção e na edição do projecto editorial, indica a Prensa Latina.

A autora afirmou ainda que este livro de fotografias é parte do seu contributo para a causa do povo saarauí, tendo denunciado a injustiça histórica a que é submetido.

Apoio permanente ao povo saarauí

Na sessão, em que o presidente da Federação Galega, Luis Fernández Ageitos, deu as boas-vindas e reafirmou o apoio permanente da instituição ao povo saarauí e à Frente Polisário, Andrea Chame também interveio, tendo afirmado que, graças a esta obra, conheceu de perto o povo saarauí e a sua «nobre causa».

Por seu lado, Lorena Lores, presidente da Asociación Sáhara Libre Argentina (ASLA) e secretária-geral da Federação Galega, destacou que o apoio da instituição é de longa data e que se intensificou desde a criação da ASLA, refere a Sahara Press Service (SPS).

Lores convidou os presentes a juntarem-se à associação solidária com o povo saarauí e o seu único e legítimo representante, a Frente Polisário, e ainda leu um fragmento da obra apresentada, no qual a autora destaca a cerimónia do chá como um elemento articulador da identidade saarauí.

Presos em greve de fome não foram esquecidos

Ao intervir no evento, Mohamed Ali Ali Salem, representante da Frente Polisário na Argentina, agradeceu à autora e à editora por ajudarem a dar visibilidade ao povo da República Árabe Saarauí Democrática (RASD), e destacou que a única solução para a última colónia de África passa pela realização de um referendo de autodeterminação.

O diplomata abordou ainda o panorama actual de um conflito que se arrasta há mais de 50 anos e alertou que as vidas de nove presos políticos do Grupo de Gdeim Izik, em greve de fome nas cadeias marroquinas desde 23 de Setembro último, estão em perigo.

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