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ONU refere «graves» violações cometidas por Israel contra menores palestinianos

O relatório do secretário-geral da ONU sobre crianças e conflitos regista mais de mil «violações» contra crianças palestinianas. Mas Israel, como a Arábia Saudita, volta a ficar de fora da «lista negra».

De acordo com o Ministério palestiniano da Informação, 12 mil crianças foram detidas pelos israelitas nos últimos 17 anos
Jovem palestiniano é detido pelas forças israelitas (imagem de arquivo) Créditos / addameer.org

Em Junho de 2020, o secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, anunciou que a a Arábia Saudita seria retirada da «lista negra» onde foi incluída em 2017 por matar e ferir crianças no decurso das suas operações militares de agressão ao Iémen. E este ano voltou a não ser incluída na «lista das partes que violam os direitos dos menores durante os conflitos». Esse facto, bem como a não inclusão de Israel «na lista de regimes que matam crianças», mereceu a condenação do Irão.

Por seu lado, o Estado da Palestina lamentou que «o relatório anual mais uma vez falhe ao não incluir, de forma justa, as forças de ocupação de Israel na lista das partes que cometem violações graves contra as crianças» – uma realidade que o relatório refere nos seus próprios termos.

«Esta falha persiste – nota a agência WAFA –, apesar da documentação exaustiva e provas dos crimes de Israel contra os menores palestinianos», e do facto de que esses «crimes não só continuam, como estão aumentar», tendo-se registado a morte de 69 crianças palestinianas nos últimos dois meses (66 das quais no «massacre a Gaza», em Maio último»).

No seu relatório, relativo a 2020, o secretário-geral das Nações Unidas reporta 1031 casos confirmados de violência das forças israelitas contra 340 crianças palestinianas. Dá ainda conta de 11 mortos e 324 feridos, bem como de 361 detenções (87 crianças reportaram maus-tratos e violações ao processo legal devido, sob custódia, por parte das forças israelitas, e 83% referiram violência física). Foram ainda registados 30 ataques a escolas e hospitais, perpetrados pelas forças israelitas de ocupação e colonos judeus, de acordo com o relatório.

O Estado da Palestina, refere a WAFA, lamenta que o secretário-geral da ONU, reunindo estes dados, «ignore» as «provas das graves violações e crimes cometidos por Israel», sublinhando que «esta omissão voluntária» de Israel da lista só reforça a sua «impunidade».

Constitui, além disso, um «desvio grave das responsabilidades confiadas ao secretário-geral», que o Estado da Palestina insta «a corrigir sem demora», porque as «crianças palestinianas têm direito à protecção, segurança, dignidade e liberdade».

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