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Tribunal israelita condena criança palestiniana a 3 anos de cadeia

Um menor palestiniano de 13 anos, natural de Jerusalém Oriental ocupada, foi condenado a três anos de prisão por um alegado ataque a um militar israelita no ano passado.

Jovens afirmaram à Comissão dos Assuntos dos Presos e ex-Presos Palestinianos terem sido severamente espancados pelos militares israelitas da unidade «Nahshon»
Jovens afirmaram à Comissão dos Assuntos dos Presos e ex-Presos Palestinianos terem sido severamente espancados pelos militares israelitas da unidade «Nahshon» Créditos / al-monitor.com

Um tribunal israelita decretou esta quinta-feira que Ashraf Adwan, da localidade de Eizariya (Jerusalém ocupada), deve pagar ainda cerca de 1250 euros de multa e indemnização, indicou o Palestinian Information Center (PIC).

Adwan foi detido em Setembro de 2019 nas imediações do complexo da Mesquita de al-Aqsa, em Jerusalém, acusado de tentar atacar um militar israelita, e, desde então, fui submetido a duras sessões de interrogatório num centro de detenção israelita.

Dos três anos de cadeia a que foi condenado, a criança de 13 anos terá de cumprir dois, uma vez que a sentença começou a ser cumprida a partir da data da detenção, disse o seu advogado.

A mãe de Awan manifestou tristeza com a sentença ontem decretada pelo tribunal israelita e disse que, desde que o filho foi preso, há mais de um ano, a Polícia israelita apenas lhe autorizou uma visita. Aproveitou as várias audiências no tribunal para ir vendo como o filho estava, refere o PIC.

17 mil menores palestinianos presos por Israel em 20 anos

Em Abril deste ano, na véspera do Dia da Criança Palestiniana (5 de Abril), a Comissão dos Assuntos dos Presos e ex-Presos Palestinianos revelou que Israel mantinha cerca de 200 menores palestinianos em cadeias que carecem de elementos básicos à vida humana, e advertiu que estes menores presos «são submetidos a tortura e a tratamento degradante que violam os princípios internacionais dos direitos humanos».

Qadri Abu Baker, o director do organismo, acusou então as Nações Unidas e organizações internacionais de defesa dos direitos humanos de não terem conseguido «dar a mínima protecção às crianças palestinianas» face aos abusos físicos e psicológicos que enfrentam nas cadeias israelitas.

Abu Baker disse que as forças israelitas prenderam mais de 17 mil menores palestinianos desde 2000, havendo registo de detenções de crianças com idades inferiores a dez anos. A maioria destes menores sofreu torturas físicas e psicológicas, insistiu.

De acordo com os dados da organização Defense for Children International, entre 500 e 700 crianças e adolescentes palestinianos com idades compreendidas entre os 12 e os 17 anos são presos e julgados em tribunais militares israelitas todos os anos, indica a PressTV.

Para além disso, Israel tem um longo historial no que respeita à morte de menores palestinianos. Em Março de 2019, o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) revelou que cerca de 40 menores palestinianos tinham sido mortos e centenas tinham sido feridos por forças israelitas ao longo de um ano de protestos junto à vedação que separa a Faixa de Gaza cercada de Israel.

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