|Venezuela

Novo Banco continua a impedir o acesso da Venezuela a vacinas

Banco português está, mais uma vez, a obstruir a compra de 30 milhões de seringas e de cerca de 15 milhões de vacinas contra doenças como a poliomielite, difteria ou o sarampo, pelo estado venezuelano. 

CréditosTiago Petinga / Agência Lusa

Não é a primeira vez que o Novo Banco dá respaldo às sanções económicas impostas pelos Estados Unidos da América, aplicadas com o objectivo de forçar uma alteração política mais favorável aos interesses deste país na América Latina. O fundo norte-americano Lone Star detém, desde 2017, 75% do Novo Banco, levantando dúvidas sobre que país serve afinal esta instituição bancária.

Depois da apropriação de 1,7 mil milhões de dólares, pertencentes ao estado venezuelano, que o Novo Banco mantém reféns desde a imposição destas sanções, foi a vez de uma encomenda no valor de 12,7 milhões de dólares, pertencente ao Banco de Fomento da Venezuela, ver a sua compra bloqueada.

O povo venezuelano está, neste momento, impossibilitado de receber cerca de 30 milhões de seringas; seis milhões de vacinas contra o sarampo, a papeira e a rubéola; 5,5 milhões de doses de vacinas contra a difteria e o tétano; dois milhões de vacinas contra a poliomialite e um milhão de vacinas contra a febre amarela.

Héctor Andrés Pérez, presidente do BANDES (Banco de Desenvolvimento Económico e Social da Venezuela), enviou uma missiva, no dia 15 de Setembro, ao presidente executivo do Novo Banco, António Ramalho, a pedir que este desse andamento à transferência do pagamento à Organização Pan-Americana de Saúde realizada a 23 de Julho de 2021.

Pérez relembra, na carta enviada, que o sistema judicial «levantou os congelamentos aplicados aos montantes pertencentes ao BANDES, assim como determinou que qualquer outra transferência teria de ser validada por um juiz», situação que já se tinha verificado aquando do envio do documento. É ainda reforçado que esta transferência tem propósitos humanitários, que exigem a mais diligente resposta.

À falta de resposta por parte do Novo Banco, que se escusou a explicar porque é que ignora as deliberações judiciais e continua a impedir o acesso de cuidados médicos à população venezuelana, 37 eurodeputados subscreveram um documento, enviado a António Ramalho, em que exigem que esta instituição bancária aja «de acordo com a lei internacional e que abra mão dos fundos para proteger a vida e a saúde das crianças venezuelanas».

Apenas dois eurodeputados portugueses assinaram a carta ao presidente executivo do Novo Banco, João Pimenta Lopes e Sandra Pereira, ambos eleitos pelo PCP. PSD, CDS-PP, PS, BE e o deputado não-inscrito Francisco Guerreiro (eleito pelo PAN) não tomaram posição sobre o assunto.

Tópico