|Palestina

«Mulheres palestinianas prosseguem luta pela liberdade»

O combate das palestinianas «pela liberdade e independência do seu povo» foi sublinhado pelo MPPM no Dia Internacional da Mulher. Exemplo disso é a sua participação na Grande Marcha do Retorno.

Mulheres participam na 50.ª semana consecutiva de mobilizações da Grande Marcha do Retono, em Gaza (8 de Março de 2019)
Mulheres participam na 50.ª semana consecutiva de mobilizações da Grande Marcha do Retono, em Gaza (8 de Março de 2019) Créditos / mondoweiss.net

A propósito do 8 de Março, Dia Internacional da Mulher, o Movimento pelos Direitos do Povo Palestino e pela Paz no Médio Oriente (MPPM) emitiu um comunicado em que lembra que «as mulheres palestinianas continuam a contar-se entre as principais vítimas da ocupação israelita, que oprime o povo palestiniano e ocupa a sua terra, privando-o dos seus mais básicos direitos, em primeiro lugar os seus imprescritíveis direitos nacionais».

As «mulheres palestinianas são credoras do respeito, da admiração e da solidariedade de todos quantos no mundo inteiro apoiam a justa causa nacional do povo palestiniano», declara o MPPM, sublinhando o seu papel na «preservação da cultura e da identidade nacional», a sua participação nos «protestos contra o Muro do Apartheid e os colonatos», bem como nas mobilizações da «Grande Marcha do Retorno pelo fim do criminoso bloqueio da Faixa de Gaza», a resistência das que «estão presas nas cadeias do regime sionista por se oporem à ocupação israelita» e as que «deram o seu sangue no caminho da liberdade».

Habitantes nos territórios ocupados de Jerusalém Oriental, da Cisjordânia e de Gaza, nos campos de refugiados e na diáspora, ou sendo cidadãs de Israel, as mulheres palestinianas «prosseguem o combate pela liberdade e independência do seu povo, pelo retorno dos refugiados, pela criação de um Estado palestiniano», destaca o MPPM. Em simultâneo, mantêm a luta «pela igualdade de género e pelos seus direitos económicos, sociais e políticos», acrescenta.

Forças israelitas reprimem manifestantes da Grande Marcha do Retorno

Milhares de palestinianos manifestaram-se este 8 de Março ao longo da vedação com que Israel isola a Faixa de Gaza, na 50.ª sexta-feira consecutiva das mobilizações Grande Marcha de Retorno, que se iniciou em 30 de Março de 2018. Por se realizar no Dia Internacional da Mulher, a manifestação recebeu o nome de «Sexta-feira da Mulher Palestiniana», indica o MPPM no seu portal.

Pelo menos um palestiniano foi morto – identificado pelo Ministério palestiniano da Saúde em Gaza como Tamer Khaled Arafat, de 23 anos – e 48 foram feridos pelas forças israelitas, que dispararam balas reais e balas revestidas de borracha contra os manifestantes.

Entre os feridos contam-se 15 menores, duas mulheres, quatro paramédicos e dois jornalistas, que foram atingidos por bombas de gás lacrimogéneo, granadas atordoantes ou balas reais, segundo referem o MPPM e a agência Ma'an.

Na semana passada, investigadores independentes da ONU divulgaram um relatório no qual se afirma que as forças militares israelitas podem ter cometido crimes de guerra e crimes contra a humanidade ao reprimirem os manifestantes desarmados nas mobilizações da Grande Marcha do Retorno.

Uma das principais reivindicações destes protestos prende-se com o levantamento do bloqueio que os israelitas (em colaboração com o Egipto) impõem à Faixa de Gaza há 12 anos e que destruiu a economia do enclave, privando os seus cerca de dois milhões de habitantes de infra-estruturas básicas, com consequências humanitárias trágicas.

Os manifestantes afirmam ainda o direito de os refugiados palestinianos – e seus descendentes – regressarem às terras de onde foram expulsos, em 1948, no âmbito da campanha de limpeza étnica levada a cabo por Israel, por ocasião da sua fundação.

Tópico