|equador

Movimento indígena reafirma que os protestos vão continuar no Equador

A Confederação de Nacionalidades Indígenas do Equador (Conaie) reafirmou, no sábado à noite, que a paralisação continua até que o governo de Lasso responda a todas as reivindicações colocadas.

Créditos / @CONAIE_Ecuador

Em plenários realizados na Agora CCE, no sábado, e na Universidade Central do Equador, no domingo, o movimento indígena e os demais sectores mobilizados reafirmaram que a paralisação iniciada há duas semanas vai prosseguir.

O presidente da Conaie, Leonidas Iza, agradeceu a todos os que se mantêm mobilizados nas províncias e na capital do Equador, Quito, onde muitos habitantes têm estado a apoiar os manifestantes com alimentos e outros bens.

Iza avisou que os indígenas só vão regressar às suas comunidades quando a agenda proposta pelo organismo e outros sectores populares for respeitada, porque se trata de «questões sensíveis» para a população, nomeadamente a redução do preço dos combustíveis e dos bens de primeira necessidade, maiores benefícios para os agricultores, proibição da exploração mineira em territórios de povos originários.

Reconhecendo que o governo deu alguns passos – decretos para controlar a especulação, declaração de emergência na Saúde Pública, medidas favoráveis ao sector da Educação –, sublinhou que falta o mais importante, que são as questões relacionadas com os combustíveis, a mineração e o alto custo de vida.

Neste sentido, pediu que se mantenha a «solidariedade entre todos». «Arriscámos a vida e a liberdade, mas vamos continuar nesta luta pelos dez pontos da agenda», clamou perante os manifestantes reunidos na capital.

«Não se confundam, se regressarmos, será com benefício para o povo. Se não houver isso, não nos vamos embora de Quito», insistiu, citado pela Prensa Latina.

Nos últimos dois dias, as jornadas de mobilização foram mais tranquilas, depois de 12 dias consecutivos de forte repressão policial e do Exército, bem como de acções violentas de elementos infiltrados nas manifestações.

Na sua conta de Twitter, a Confederação de Nacionalidades Indígenas da Amazónia Equatoriana (Confeniae) informou que até ontem, às 14h30, se registaram cinco mortos, oito desaparecidos, 280 feridos e 158 detenções, no âmbito da paralisação nacional e por tempo indeterminado, iniciada no passado dia 13.

Apelo à criação de corredores humanitários

Ontem, ao fim do dia, os movimentos indígenas pediram aos manifestantes mobilizados que contribuam para a criação de corredores humanitários, de modo que alimentos, ambulâncias e tudo o que for emergência possam chegar às pessoas.

«Esta luta continua pela nossa dignidade, pelos resultados, mas também pedimos, da maneira mais solidária, que garantam os corredores logísticos humanitários», disse Leonidas Iza, via vídeo.

O pedido foi feito pouco depois de uma conferência de imprensa em que o director do Sistema Integrado de Segurança ECU 911, Juan Zapata, falou de desabastecimento de alimentos e combustíveis em várias províncias, bem como da necessidade urgente de fazer chegar oxigénio hospitalar à cidade de Cuenca.

Tópico