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Milhões de mulheres e meninas são vítimas da escravidão moderna

Um relatório da ONU estima que 29 milhões de mulheres e meninas sejam vítimas da escravidão moderna, exploradas através de trabalho escravo, casamentos forçados, servidão doméstica e por dívidas.

Uma em cada 130 mulheres e raparigas vive actualmente em situação de escravatura moderna, de acordo com um relatório das Nações Unidas
Uma em cada 130 mulheres e raparigas vive actualmente em situação de escravatura moderna, de acordo com um relatório das Nações Unidas Créditos / Diario Octubre

Grace Forrest, co-fundadora da organização contra a escravatura Walk Free, disse na sexta-feira que isto significa que uma em cada 130 mulheres e raparigas vive actualmente em situação de escravatura moderna.

«A realidade é que há hoje mais pessoas a viver em situação de escravatura do que em qualquer outra altura da história da humanidade», afirmou Grace Forrest, citada pela Associated Press, numa conferência de imprensa das Nações Unidas.

«as pessoas mais vulneráveis estão a ser ainda mais empurradas para esta prática da escravatura moderna devido à Covid-19»

Grace Forrest

A Walk Free define a escravatura moderna «como a eliminação sistemática das liberdades de uma pessoa, em que uma pessoa é explorada por outra para benefício pessoal ou financeiro» de outrem, refere o Diario Octubre.

De acordo com Forrest, a estimativa global de que uma em cada 130 mulheres e raparigas seja vítima de escravatura moderna baseia-se em trabalhos realizados pela Organização Internacional do Trabalho (OIT) e pela Organização Internacional para as Migrações (OIM), ambas agências das Nações Unidas, e pela Walk Free.

«O que este relatório demonstra é que o género representa uma desvantagem para as raparigas desde a concepção, ao longo de toda a sua vida», disse. Segundo o relatório, intitulado «Stacked Odds», as mulheres constituem 99% de todas as vítimas de exploração sexual forçada, 84% das vítimas totais de casamentos forçados e 58% das vítimas de trabalho forçado.

«as mulheres constituem 99% de todas as vítimas de exploração sexual forçada, 84% das vítimas totais de casamentos forçados e 58% das vítimas de trabalho forçado»

Para Grace Forrest, a face da escravatura moderna «mudou radicalmente». «Estamos a assistir à normalização da exploração na nossa economia, nas cadeias transnacionais de abastecimento e também nas rotas das migrações», disse, sublinhando que «as pessoas mais vulneráveis estão a ser ainda mais empurradas para esta prática da escravatura moderna devido à Covid-19».

Acrescentou que a estimativa de mulheres e raparigas sujeitas à escravatura moderna é conservadora, porque não tem em conta o que aconteceu durante a pandemia, em que se registaram «aumentos drásticos de situações de casamento forçado, envolvendo menores de idade, e de casos de exploração no trabalho em todo o mundo».

Forrest disse que a Walk Free e o programa das Nações Unidas «Every Woman Every Child» vão lançar uma campanha global para exigir a tomada de medidas para pôr fim à escravatura moderna.

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