Milhares de pessoas manifestaram-se este domingo na capital mexicana em solidariedade com Cuba, no 73.º aniversário do assalto aos quartéis Moncada e Carlos Manuel de Céspedes, no Oriente cubano, protagonizado pelos jovens da Generación del Centenario, liderados por Fidel Castro.
A propósito da «gesta heróica» contra a ditadura de Batista, que marcou o início da Revolução que triunfaria em Janeiro de 1959, os manifestantes denunciaram o bloqueio imposto há mais de seis décadas pelos Estados Unidos à maior ilha das Antilhas, condenaram o seu recrudescimento em 2026 e reclamaram «petróleo para Cuba», face ao cerco energético que a Casa Branca impôs.
«A mobilização solidária de todos os povos irmãos é urgentemente necessária, porque devemos defender a soberania cubana, mas, neste processo, devemos também defender a soberania de todos os países e o direito à autodeterminação», declarou ao La Jornada Francisco Rosas, coordenador do Colectivo Militante de Solidariedade Va Por Cuba.
Por seu lado, Olivia Garza, vice-presidente da Associação José Martí de Cubanos Residentes no México, afirmou que, no dia 26 de julho, vieram para as ruas numa marcha unitária para denunciar que a verdadeira ameaça é o bloqueio imposto pelos Estados Unidos ao país caribenho há mais de seis décadas.
«Cuba não está sozinha. Cuba não é uma ameaça; o bloqueio é que é. A solidariedade do povo mexicano está presente nesta batalha, que devemos travar perante a agressão imperialista», defendeu Garza.
Apoio a Cuba e muitos «mimos» a Washington
As faixas exibidas pelos milhares de manifestantes denunciavam o bloqueio e a guerra imposta a Cuba, sublinhando que «defender Cuba é defender o México», condenavam «o cerco genocida de Trump», reclamavam «petróleo para Cuba», enalteciam «os povos que resistem» e exigiam que se coloque um travão «ao sionismo e ao imperialismo».
Durante a mobilização, apoiada por organizações sociais, associações solidárias, colectivos, sindicatos e partidos políticos, o apoio a Cuba, a denúncia do bloqueio «genocida» e a condenação das sanções foram uma constante, tal como as expressões de repúdio pela retórica belicista da Casa Branca, pelo actual presidente norte-americano e pelo seu secretário de Estado, Marco Rubio – apontados como principais promotores da escalada contra a Ilha, refere a TeleSur.
Denúncia da manipulação e da mentira
Com uma bandeira de Cuba na mão, a cidadã mexicana Emilia Renée participou na marcha «indignada» pelo facto de os Estados Unidos «estarem a asfixiar» o povo cubano.
«Indigna-me que digam que os Estados Unidos estão a tentar salvar Cuba, o que é uma mentira sem pés nem cabeça», disse Renée à Prensa Latina.
É preciso deixar claro que o bloqueio económico, comercial e financeiro imposto por Washington ao país caribenho «é o que está a provocar o nível de deterioração que a ilha está a viver», sublinhou, defendendo a necessidade de vir para a rua denunciar estes factos.
Unir forças face à «ofensiva imperialista e fascista»
A mobilização terminou frente à antiga Embaixada dos EUA no México, com os organizadores a lerem uma declaração conjunta em que denunciam a intensificação do bloqueio norte-americano, repudiam as ameaças de agressão militar, a perseguição às fontes de financiamento do país e o cerco energético aplicado por Washington – «castigo colectivo cruel, a que se pode chamar genocídio».
Os organizadores fizeram também um apelo à unidade face à «arremetida imperialista e fascista» contra Cuba e os povos da América Latina, bem como a mobilizar todas as formas possíveis de apoio ao país caribenho.
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