Trata-se, desta vez, de um mecanismo especializado da ONU, que elabora este relatório, o qual recolheu dados directamente no terreno, afirmou esta quarta-feira o representante permanente de Cuba no Conselho de Direitos Humanos (CDH), Rodolfo Benítez, num evento paralelo interactivo sobre o bloqueio contra a Ilha, em Genebra.
Durante o evento, a que assistiu a nova relatora especial sobre medidas coercivas unilaterais, Zaina Jallad (assumiu funções em Maio deste ano), o diplomata cubano sublinhou que se trata de uma pessoa que teve a oportunidade de viajar ao país caribenho e manter encontros com múltiplos sectores, em alusão à anterior relatora especial, Alena Douhan.
E não falou apenas com o governo, mas com todos, para se inteirar pessoalmente, por si mesma, da realidade, acrescentou, citado pela Prensa Latina.
Tendo por base evidências muito sólidas recolhidas no terreno, pela primeira vez o CDH tem um acesso que lhe permite ver a situação e levar por diante um conjunto de recomendações sobre a situação em Cuba, explicou.
Relatório mostra que a narrativa dos Estados Unidos é falsa
Benítez destacou a relevância da questão, uma vez que, «embora pareça incrível, a narrativa oficial dos Estados Unidos é a de que Cuba mente e não existe qualquer bloqueio, da mesma forma que não existe um cerco petrolífero e a culpa de tudo é do governo cubano».
Mas este relatório, com evidências sólidas, mostra que a narrativa dos Estados Unidos é falsa, frisou, lembrando que um mecanismo independente e especializado foi a Cuba para ver por si mesmo a situação e recolher dados e trouxe recomendações ao CDH.
Entre as recomendações, conta-se o levantamento de todas as medidas coercivas unilaterais e o fim de todas as limitações a que Cuba é submetida, para que tenha acesso a bens, incluindo alimentos, medicamentos e equipamentos médicos.
Além disso, defende que Cuba deixe de ser designada como estado patrocinador do terrorismo – ou seja, seja excluída da lista unilateral que os EUA criaram.
Do mesmo modo, pede que os Estados Unidos acabem com o estado de emergência nacional relacionado com Cuba – declarado com base na consideração de que a Ilha é uma ameaça excepcional à segurança nacional norte-americana.
Ao intervir no encontro interactivo, Jallad enfatizou o custo humano das medidas coercivas unilaterais aplicadas a Cuba e o modo como os Estados Unidos limitam o direito à autodeterminação do país caribenho.
EUA «querem que Cuba seja uma Gaza silenciosa»
As ideias vincadas por Benítez no evento paralelo já haviam sido declaradas na cidade suíça no decorrer da 63.ª sessão do CDH.
«Não pode haver maior cinismo do que asfixiar um povo e culpar outros. O informe da relatora prova que os Estados Unidos mentem quando pretendem responsabilizar Cuba pelas consequências dos seus cruéis actos», destacou o diplomata caribenho.
O objectivo perverso e deliberado dos EUA é provocar carências extremas e a asfixia total das famílias cubanas, denunciou Rodolfo Benítez, sublinhando que, com isso, Washington «tenta facturar uma tragédia humanitária para desestabilizar o país e alcançar os seus objectivos políticos».
Desde 1 de Maio que os Estados Unidos puseram em vigor um esquema exaustivo de sanções secundárias contra entidades ou pessoas de países terceiros, apenas por terem ligações a Cuba, recordou o diplomata, afirmando que as consequências são graves.
«Basta referir que mais de 7000 contentores, a maioria com alimentos, medicamentos e dispositivos médicos, permanecem parados em diversos países e não podem ser enviados para Cuba, devido à intimidação sobre as empresas marítimas», denunciou.
Benítez disse ainda que ficar calado face ao que hoje se faz a Cuba fragiliza o direito internacional e torna o planeta ainda mais inseguro.
«Não esqueçamos que uma parte do mundo olhou para o lado quando começaram os horrores do genocídio em Gaza e hoje todos temos de assumir as terríveis consequências. Os Estados Unidos querem que Cuba seja uma Gaza silenciosa. É preciso impedi-lo», declarou.
Bruno Rodríguez destacou rejeição do bloqueio na ONU
Na sua conta de Twitter (X), o ministro cubano dos Negócios Estrangeiros, Bruno Rodríguez, afirmou que o mundo ergueu a voz para «exigir ao governo dos Estados Unidos o fim do bloqueio e do cerco energético contra o povo cubano».
«De forma unânime, as delegações uniram-se ao parecer do caso elaborado pela relatora especial sobre Medidas Coercivas Unilaterais, e manifestaram a sua discordância em relação à incessante escalada agressiva contra Cuba, que prejudica gravemente o país e as famílias cubanas, e viola os seus direitos humanos», afirmou Rodríguez.
O diplomata recordou numa publicação posterior que o CDH apoiou as dez recomendações sobre Cuba feitas ao governo norte-americano pela relatora especial e que cabe agora ao Conselho dar seguimento ao cumprimento destas acções por parte dos Estados Unidos.
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