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Mais um jornalista entre as vítimas de repressão policial no Haiti

Pelo menos um jornalista ficou ferido esta quarta-feira quando a Polícia disparou para dispersar uma manifestação que exigia a saída de Moïse e denunciava a nova «ditadura» que se instala no país.

Antes desta crise constitucional, já havia nas ruas grandes protestos contra Jovenel Moïse (imagem de arquivo)
Antes desta crise constitucional, já havia nas ruas grandes protestos contra Jovenel Moïse (imagem de arquivo) Créditos / Prensa Latina

Um fotógrafo foi atingido com uma lata de gás lacrimogéneo quando fazia a cobertura do protesto convocado por diversas organizações que denunciam que o Haiti «caminha para uma nova ditadura» e exigiram a Jovenel Moïse que respeite a Constituição e abandone o cargo.

De acordo com a agência Prensa Latina, a Polícia também disparou latas de gás lacrimogéneo contra uma camioneta em que se deslocavam jornalistas de vários órgãos de comunicação, apesar de estarem claramente identificados.

A manifestação começou na Faculdade de Etnologia da Universidade Estatal do Haiti, em Porto Príncipe, com palavras de ordem como «Jovenel não é o nosso presidente», «Abaixo a ditadura», «Abaixo o Coregroup», «Abaixo a ONU», Abaixo a OEA» – para repudiar a ingerência de agentes externos no país. As mesmas exigências fizeram-se ouvir noutras cidades haitianas.

Já na segunda-feira passada dois jornalistas tinham ficado feridos, depois de serem baleados por agentes da Polícia também na capital do país caribenho, durante um protesto para exigir a saída de Jovenel Moïse.

A tensão está a aumentar, com um coro crescente de contestação a defender que Jovenel Moïse, apoiado pelos EUA, terminou o mandato no domingo passado. Além de partidos da oposição e sindicatos, organizações sociais, associações de advogados e o Conselho Superior do Poder Judicial afirmaram que Moïse já não é presidente nos termos da Constituição, enquanto Jovenel Moïse defende que o seu mandato só termina em 2022.

Oposição nomeia presidente interino, Moïse fala em golpe frustrado

As forças que contestam a presença de Moïse no poder nomearam mesmo o juiz do Tribunal de Apelação Joseph Mécène como chefe de um governo provisório e ontem afirmaram que a formação do novo governo era uma questão de horas.

Por seu lado, Moïse reformou três juízes abordados pela oposição para assumir o cargo de presidente interino, entre eles Yvicquel Dabrésil, que era o titular do Tribunal de Apelação e que foi preso no domingo passado e acusado de conspiração contra a segurança interna do Estado por envolvimento numa alegada intentona golpista.

No entanto, associações de magistrados e figuras da oposição denunciaram a detenção de Dabrésil e de outras vinte pessoas como arbitrárias e sem fundamento, tendo exigido a sua libertação.

Ao todo, a Polícia apreendeu três espingardas e três pistolas, além de dinheiro. «Para atacar alguém, [Moïse] deve ter materiais sérios e muitos elementos que provem a intenção», afirmou um magistrado esta quarta-feira, depois de elementos da oposição já terem considerado «ridículo» fundamentar no material apreendido uma «tentativa de golpe de Estado».

Antes desta crise constitucional, já havia nas ruas grandes protestos contra Jovenel Moïse, que é acusado de corrupção, de não saber lidar com a crescente onda de violência e, inclusive, de fomentar grupos paramilitares para calar a população mais pobre, e de estar a instalar no Haiti uma ditadura com o amparo da «ingerência externa» – e conta de facto com apoio internacional.

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