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Grande adesão à greve geral no Haiti pela demissão de Moïse e contra a violência

Lojas e escolas fechadas, e ausência de transportes foram cenário comum às principais cidades haitianas nos dois dias de greve geral, convocados por sindicatos com o apoio de inúmeras organizações.

Em Porto Príncipe, esta terça-feira, não houve transportes públicos, mas viram-se alguns mototáxis e notou-se a redução do movimento nas ruas
Em Porto Príncipe, esta terça-feira, não houve transportes públicos, mas viram-se alguns mototáxis e notou-se a redução do movimento nas ruas Créditos / france24.com

A grande maioria das escolas e das lojas encerradas, a falta de transportes colectivos e o pouco movimento nas ruas foram o sinal da grande adesão à greve geral de dois dias, convocada para esta segunda e terça-feira, nas maiores cidades do Haiti, incluindo Cabo Haitiano, Les Cayes e Porto Príncipe.

Com o protesto, vários sindicatos, apoiados por inúmeras organizações políticas e sociais, quiseram denunciar a falta de segurança, os sequestros e o clima de violência generalizada no país caribenho.

Também exigiram ao presidente da República que respeite a Constituição e abandone o poder no próximo dia 7. Para deixar clara esta exigência, em Les Cayes, no Sul do país, dezenas de pessoas que participavam na greve geral vieram para as ruas manifestar-se contra Jovenel Moïse.

De acordo com organizações de defesa de direitos humanos, em 2020, a violência de grupos criminosos provocou pelo menos mil vítimas mortais no Haiti, embora tenham advertido que este número pode ser muito maior.

Para acalmar os ânimos, o presidente da República veio a público na segunda-feira reconhecer que o sequestro é «uma das principais problemáticas» do país e reafirmou a promessa de o combater, indica a TeleSur.

Mas os partidos da oposição denunciam precisamente que a onda de sequestros e assassinatos não é alheia a funcionários do governo e ao presidente da República, que, alegadamente, recorrem a grupos armados paramilitares para reprimir e silenciar a população desfavorecida dos bairros pobres, num país onde a crise sócio-política e económica se arrasta.

«O governo usa os seus lacaios para reprimir os bairros pobres e [para] que não saiam à rua», disse Jean Pierre, um dos muitos manifestantes que, no dia 31, vieram para as ruas em Porto Príncipe e de outras cidades do país.

Os partidos da oposição também acusam Jovenel Moïse de violar a Constituição – que não pode ser alterada por via de referendo –, de estar a transformar o país numa «ditadura» e de admitir a ingerência externa, nomeadamente através do Core Group – constituído por embaixadores de vários países e representantes das Nações Unidas, da Organização de Estados Americanos (OEA) e da União Europeia.

A oposição, que defende que o mandato presidencial de Moïse expira já no próximo dia 7, já se entendeu no sentido de encontrar um presidente interino substituto, que seria um juiz do Tribunal de Apelação.

Para forçar a saída de Moïse, convocaram mais três dias de paralisação, até sexta-feira, e manifestações no fim-de-semana, de acordo com um calendário de mobilizações que divulgaram no passado dia 30 de Janeiro.

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