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Mais de 100 dirigentes sociais assassinados na Colômbia

Com o assassinato de Freddy Angarita Martínez, em Cúcuta, e de Jorge Enrique Oramas, em Cáli, o Indepaz regista 101 dirigentes sociais mortos na Colômbia este ano, 26 desde que foi decretada a quarentena.

Protesto na Colômbia contra o assassinato de dirigentes sociais (imagem de arquivo)
Protesto na Colômbia contra o assassinato de dirigentes sociais (imagem de arquivo) Créditos / fayerwayer.com

O assasinato do sociólogo e defensor do ambiente Jorge Enrique Oramas, de 70 anos, apareceu bem divulgado na imprensa. Morto a tiro, este sábado, numa quinta de Cáli (departamento de Valle del Cauca), é o centésimo «dirigente social» a ser assassinado no país andino-amazónico este ano, segundo o registo que tem estado a ser feito pelo Instituto de Estudos para o Desenvolvimento e a Paz (Indepaz).

«Cem» vale efemérides. De tal modo que, este fim-de-semana, o assassinato de dirigentes sociais assumiu destaque, inclusive, em agências ocidentais que costumam centrar-se na «ditadura de Maduro» e têm menos o hábito de virar o foco para a miséria e a violência extremas no país vizinho, presidido por Iván Duque, grande aliado dos Estados Unidos na América do Sul, também no que às tentativas de desestabilização da Venezuela diz respeito.

O assassinato de Enrique Oramas, professor, defensor da agricultura biológica e conhecido por se opor a projectos de exploração mineira no Parque Nacional Farallones de Cali, foi confirmado ontem pelo Indepaz e denunciado pelo presidente do município, Terry Hurtado, que pediu às autoridades que procedam a «uma investigação ágil».

Também no sábado, foi morto a tiro, na cidade de Cúcuta (departamento de Norte de Santander), o dirigente comunitário Freddy Angarita Martínez. De acordo com o periódico La Opinión de Cúcuta, dois indivíduos dirigiram-se a sua casa e efectuaram oito disparos. A mesma fonte revela que, dias antes, Angarita Martínez tinha sido ameaçado de morte.

Na lista que o Indepaz vai actualizando, respeitante a 2020, Martínez surge como o dirigente social assassinado número 101. Na véspera, foi morto o guarda indígena Javier García Guaguarabe, informa o portal tn8.tv. Tinha 20 anos e foi assassinado no município de Argelia (Valle del Cauca).

O Indepaz alertou que, desde que a quarentena foi decretada pelo governo, a 25 de Março, para conter a propagação do vírus SARS-coV-2, já foram assassinados na Colômbia 26 dirigentes sociais. O organismo pediu às autoridades que garantam aos dirigentes sociais e defensores dos direitos humanos a possibilidade de exercerem as suas actividades em segurança, em todo o país.

Sirley Muñoz, coordenadora do Sistema de Informação da organização Somos Defensores, afirmou que o aumento do número de crimes contra defensores dos direitos humanos está relacionado com o incremento das ameaças de morte registadas em 2019, revela o tn8.tv.

Os departamentos com maior incidência de casos de assassinatos são, segundo o Indepaz, o Cauca, Antioquia e Putumayo.

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