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Integridade territorial da Síria em causa com manobras dos EUA a Leste do Eufrates

O chefe da diplomacia russa, Sergei Lavrov, denunciou que os EUA estão a tentar recolocar os curdos em áreas historicamente habitadas por árabes e que isso pode conduzir à fractura da Síria.

Um combatente das chamadas FDS fixa uma bandeira no chão perto de Raqqa (Fevereiro de 2017)
Um combatente das chamadas FDS fixa uma bandeira no chão perto de Raqqa (Fevereiro de 2017)Créditos / isna.ir

Sublinhando a necessidade de «as áreas habitadas pelos curdos permanecerem como sua herança nacional», o ministro russo dos Negócios Estrangeiros denunciou, esta quarta-feira, que «as tentativas de os EUA recolocarem a população curda em áreas onde tribos árabes historicamente sempre habitaram é um processo muito mau», que «conduz directamente ao separatismo e à fractura da Síria».

Numa conferência de imprensa em Teerão, na sequência de um encontro com o seu homólogo iraniano, Mohammad Javad Zarif, o ministro russo mostrou-se preocupado com a situação na Margem Esquerda do rio Eufrates, uma vez que estão ali estacionadas tropas estrangeiras e forças especiais, ocupando assim uma parte do território da República Árabe Síria, indica a agência TASS.

«Não foram convidadas. Estão ali destacadas ilegalmente e ainda tentam usar a cartada curda, como costuma acontecer em zonas controladas pelos norte-americanos e os seus aliados, no seio de unidades que lutam no terreno. Estamos convencidos de que a questão curda precisa de ser resolvida com total respeito pela integridade territorial e soberania dos estados onde os curdos vivem», disse Lavrov.

EUA procuram separar região a leste do Eufrates

Numa notícia do periódico em língua árabe Al-Watan, a que a agência Fars fez referência esta quarta-feira, afirma-se que «terroristas apoiados pelo Exército dos Estados Unidos têm estado a destruir passagens que ligam as duas margens do rio Eufrates» na Síria.

De acordo com o jornal referido, não é a primeira vez que as chamadas Forças Democráticas Sírias (FDS), apoiadas pelos EUA, destroem passagens e pontes entre as margens oriental e ocidental do rio, o que, segundo o periódico, se enquadra nas tentativas dos EUA de consolidar a separação terrorial da Síria a partir do Eufrates.

Mais de um milhão de sírios regressaram ao país

De acordo com os dados facultados pelos comités sírio e russo para o regresso dos refugiados, o número de sírios que regressaram à sua pátria é de 1 000 072. Nestes, incluem-se 19 500 que voltaram da Jordânia, desde Outubro último, quando foi reaberto o posto fronteiriço de Nassib.

Entretanto, centenas de deslocados, na sua maioria mulheres e crianças, conseguiram sair esta quarta-feira do campo de Rukban, localizado junto à fronteira da Síria com a Jordânia, apesar dos obstáculos colocados pelos militares norte-americanos, que ocupam ilegalmente a base próxima de al-Tanf.

De acordo com os dados das autoridades sírias e russas, cerca de 10 mil dos deslocados conseguiram utilizar o corredor humanitário criado por Damasco, em Fevereiro deste ano, para a evacuação de cidadãos sírios retidos em Rukban. Estima-se que outros 40 mil continuem no campo.

Testemunhos recolhidos pela imprensa, referidos pela Prensa Latina, dão conta da «falta de alimentos e de cuidados médicos básicos», bem como do roubo da ajuda destinada aos refugiados por grupos terroristas armados patrocinados pelos EUA, que abusam dos civis. «Os deslocados descreveram Rukban como o campo da morte», indica a Prensa Latina.

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