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Grupo paramilitar promove «paralisação armada» no Norte da Colômbia

Entre quinta-feira e sábado, o Clan del Golfo levou a cabo 127 acções violentas, segundo dados preliminares divulgados pelo Instituto de Estudos para o Desenvolvimento e a Paz (Indepaz).

A Marcha Patriótica é uma de várias organizações que denunciam a elevada presença de estruturas paramilitares em diversos departamentos colombianos
O Clan del Golfo é também designado como AGC (imagem de arquivo) Créditos / Marcha Patriótica Valle del Cauca

Os membros da estrutura narco-paramilitar, também conhecida como Autodefensas Gaitanistas de Colombia (AGC), assassinaram quatro pessoas, incendiaram 56 veículos, ameaçaram dirigentes sociais e jornalistas, restringiram a mobilidade da população, entre outras acções que executaram entre os dias 5 e 7, no âmbito da «paralisação» orquestrada.

De acordo com o Indepaz, nesse período 73 municípios de dez departamentos do Norte da Colômbia registaram casos de violência, sendo que em Antioquia ocorreram 62 dos 127 casos verificados.

No sábado, a Igreja Católica e organizações territoriais e sociais que velam pela paz e os direitos humanos condenaram de forma enérgica a situação de confinamento a que foram submetidos os habitantes dos 30 municípios do departamento de Chocó e 11 de Urabá, em Antioquia, em virtude da «paralisação armada».

«A situação que o Chocó partilha com as comunidades dos departamentos de Antioquia, Córdoba, Sucre, Cesar, Bolívar, Magdalena e Santander permite-nos constatar uma vez mais como é a população civil que sofre as consequências desta guerra demencial que estamos a padecer na Colômbia», afirmaram em comunicado citado pela agência Prensa Latina.

Exigiram ao Clan del Golfo que respeite o Direito Internacional Humanitário, para que cessem de imediato as acções violentas contra a sociedade civil, e afirmaram que o governo de Iván Duque deve garantir a segurança e a paz da população.

Segundo refere a TeleSur, o presidente colombiano está a ser acusado de ter minimizado o poder do grupo paramilitar, que alastrou o seu domínio no território e amedrontou as populações.

Por seu lado, o Ministério colombiano da Defesa declarou que pelo menos 204 membros do Clan del Golfo foram capturados e neutralizados desde o início da «paralisação», depois de o líder do grupo criminoso, conhecido como Otoniel, ter sido extraditado para os EUA.

Entretanto, já esta segunda-feira, a France 24 dá conta do aumento de acções violentas, em 119 municípios do Norte do país.

A situação de violência na Colômbia é considerada «dramática», havendo registo, em 2022, de 70 dirigentes sociais e 18 ex-combatentes das FARC-EP signatários do acordo de paz assassinados, além de 37 massacres, segundo dados do Indepaz.

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