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Grande capital chumba no teste sobre «Integridade Climática»

O relatório «Corporate Climate Respect Monitor 2022», que avalia a transparência e integridade das reivindicações climáticas de 25 multinacionais, mostra como o capital parece verde, sem o ser.

Poluição na praia de Kuta, Bali, Indonésia.
Poluição na praia de Kuta, Bali, Indonésia.CréditosMaxim Blinkov / Shutterstock.com / infoescola.com

O relatório incidiu sobre as grandes multinacionais Accenture, Amazon, Apple, BMW, Carrefour, CVS Health, Deutche Post DHL, Deutche Telekom, Eml, Eon, Glaxodmithkline, Google, Hitachi, Ikea, Maersk, Nestlé, Novatis, Saint-Gobain, Sony, Unilever, Vale, Vodafone, Volkswagen, Walmart e deste estudo retira extrapolações para as restantes.

As conclusões a que chega mostram uma classificação muito modesta destas 25 multinacionais no que respeita à sua «Integridade Climática»: «razoável» num caso; «modesta» em três; «baixa» em dez casos e «muito baixa» em 11. Nenhuma obtém «Bom», muito menos «Muito Bom» ou «Excelente».

O relatório começa por apontar que, apesar de todas as empresas afirmarem um compromisso de «Net Zero Emissions» para um futuro próximo, os seus verdadeiros compromissos são ambíguos e as verdadeiras reduções de emissões muito limitadas.

Na realidade, só três das 25 empresas fazem esforço para garantir alguma redução, enquanto a maioria das restantes se limita a externalizar as emissões, ou seja, a trocar emissões próprias (que se mantêm) por programas de captura de carbono noutros lugares ou a comprar certificados de energia renovável, apesar de continuarem a utilizar combustíveis de origem fóssil.

Uma das fraudes exemplificadas no relatório tem a ver com o mercado de «Certificados de Energia Renovável» com velhas hidroeléctricas escandinavas, cujos clientes não necessitam de certificado. Estas centrais vendem os certificados da energia por si produzida a multinacionais que, apesar de consumirem uma outra energia, obtida a partir da queima de petróleo ou gás, querem ostentar a etiqueta «net zero emissions».

Outra, é a compra de créditos «carbónicos» de baixa qualidade, quer por terem origem em actividades onde a captura de carbono é revertida nuns anos (plantação de alguns tipos de árvore, por exemplo), quer por serem actividades não excepcionais, quer por serem mesmo prováveis fraudes.

O Relatório alerta ainda para o facto de, no essencial, estas multinacionais simularem um «climate leadership» (liderança climática), enquanto na realidade se dedicam ao «green washing» (lavagem verde).

Este relatório, que não teve impacto mediático, o que não é surpreendente considerando que os meios de comunicação social estão, cada vez mais, dependentes do grande capital, acaba por concluir que não será o mercado (os «consumidores» e os «accionistas») quem conseguirá alterar estes comportamentos.

No fundo, reconhece que por muito que o grande capital se pinte de verde, não passa a ser verde.

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