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«EUA continuam a acreditar que têm direito a impor a agenda doméstica na Rússia»

Ao intervir numa academia militar em São Petersburgo, Sergei Lavrov afirmou que o encontro entre Putin e Biden, em Junho, não trouxe grandes mudanças, mas defendeu que é «melhor falar que não o fazer».

Sergei Lavrov 
Sergei Lavrov Créditos / Anadolu

Ao abordar esta segunda-feira o encontro que Vladimir Putin e o seu homólogo norte-americano, Joseph Biden, mantiveram em Genebra (Suíça) a 16 de Junho último, o chefe da diplomacia russa disse que não trouxe mudanças de fundo às relações entre Moscovo e Washington.

Ainda assim, defendeu que «é sempre melhor encontrarem-se e falarem do que não o fazerem» e que, «nesse sentido, […] a cimeira de Genebra foi positiva», noticia a TASS.

No entanto, Lavrov foi claro ao afirmar que não só não houve «alterações radicais» nas relações entre os dois países, como os Estados Unidos continuam a tentar impor a agenda interna na Rússia, «acusando-nos de interferir nos assuntos internos norte-americanos sem apresentarem provas disso».

Em seu entender, aquilo que as partes devem fazer é «manter um diálogo mutuamente respeitoso com factos nas mãos», disse, tendo apontado como exemplos de acusações não fundamentadas contra a Rússia o caso do blogger da oposição Navalny, a saga do envenenamento de Sergei e Yulia Skripal ou caso do acidente do voo MH17 da Malaysia Airlines nos céus do Donbass.

«Para cada uma destas acusações foram anunciadas sanções contra o nosso país», denunciou o ministro russo dos Negócios Estrangeiros, acrescentando que tais medidas surgem da vontade do Ocidente de travar a Rússia.

Lavrov disse que o mesmo é verdadeiro para o gasoduto Nord Stream 2. Os Estados Unidos lançaram inúmeras ameaças de sanções contra as empresas envolvidas no projecto, «a administração de Biden não mudou de posição […], embora tenha percebido que é impossível travá-lo».

«Organizações humanitárias seguem a linha do Ocidente no que respeita à Crimeia»

Ao abordar a Crimeia, o chefe da diplomacia russa acusou as organizações internacionais humanitárias de serem tendenciosas a favor do Ocidente, de seguirem a linha dos países ocidentais.

Sergei Lavrov disse que, apesar de serem convidadas a visitar a Crimeia, essas organizações e seus representantes – como o comissário dos direitos humanos da OSCE e do Conselho da Europa – se recusam a fazê-lo, alegando que têm de entrar pela Ucrânia.

Em seu entender, estes organismos não visitam a Crimeia porque não querem ver o «estado real das coisas com os seus próprios olhos», algo que «deviam fazer, em vez de apresentarem acusações não fundamentadas só para agradar aos seus patronos no Ocidente», disse, citado pela agência TASS.

Depois do golpe fascista de Maidan, apoiado pelo Ocidente, em Fevereiro de 2014, as autoridades da Crimeia e Sebastopol, uma cidade com um estatuto especial na Península da Crimeia, realizaram um referendo sobre a reunificação com a Rússia, em que participaram mais de 80% das pessoas com direito a voto.

No referendo, 96,7% da população da Crimeia e 95,6% da de Sebastopol optaram pela reintegração na Rússia.

Assim, em 18 de Março de 2014, o presidente russo, Vladimir Putin, assinou o tratado sobre a reunificação da República da Crimeia e da Cidade de Sebastopol com a Rússia, que foi aprovado pela Assembleia Federal no dia 21 de Março.

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