Batalha pela libertação de Alepo

Em Alepo Oriental «não havia activistas dos direitos humanos, oposição ou ONG»

Numa altura em que o Exército sírio libertou quase totalmente o território de Alepo sob domínio dos terroristas, o Ministério da Defesa russo sublinha as terríveis condições em que as populações ali viviam.

Tropas do Exército sírio atravessam o bairro libertado de Bustan al-Qasr em Alepo, no Norte da Síria (12 de Dezembro de 2016)
Tropas do Exército sírio atravessam o bairro libertado de Bustan al-Qasr em Alepo, no Norte da Síria (12 de Dezembro de 2016)Créditos / AFP

Em resultado da grande ofensiva das últimas três semanas, o Exército sírio e seus aliados têm sob controlo mais de 99% do território de Alepo Oriental que estava em poder dos terroristas desde 2012, tendo libertado cerca de 100 mil residentes.

Numa conferência de imprensa realizada esta terça-feira, o major-general Igor Konashenkov, do Ministério da Defesa russo, afirmou que «em Alepo Oriental não foi encontrada nenhuma "oposição", "conselhos locais" ou ONG (organizações não governamentais) defensoras dos "valores ocidentais", tão apreciadas por Londres e outras capitais, como os "capacetes brancos", "associações de médicos" ou "defensores dos direitos humanos"», informa a agência Sputnik.

Konashenkov acrescentou que, de acordo com os testemunhos dos residentes libertados, «havia apenas a fome e o terror total, como castigo dos militantes por quaisquer tentativas de expressão de descontentamento ou de abandono do enclave».

Os sapadores russos «não encontraram um único hospital ou escola que tivessem sido usados para os respectivos fins nas áreas controladas pelos militantes», disse, precisando que foram antes utilizados como tribunais islâmicos, depósitos de munições e fábricas de mísseis artesanais.

Não eram 250 mil encurralados

Konashenkov sublinhou que a operação de libertação dos bairros de Alepo Oriental foi conduzida, pelas tropas sírias, «de forma humana, em todos os sentidos, no que diz respeito aos civis» e que mostrou «várias coisas importantes», nomeadamente que «não havia 250 mil civis encurralados» em Alepo Oriental, tal como diversos representantes ocidentais tentaram enfatizar.

O representante russo refutou esse número, tendo precisado que os terroristas usaram «mais de 100 mil civis como escudos humanos». «Todos eles deixaram o enclave assim que puderam e entraram em áreas controladas pelo governo, por questões de segurança, de verdadeira ajuda e comida», disse.

Crítica ao desconhecimento da ONU

O norueguês Jan Egeland, conselheiro do enviado especial da ONU para a Síria, acusou ontem a Rússia e a Síria de serem responsáveis pelas atrocidades que, alegadamente, estavam a ser cometidas por membros de milícias aliadas, «vitoriosas», na libertação de Alepo, informa a HispanTV.

Hoje, Dmitry Peskov, porta-voz do Kremlin, acusou Egeland de não estar a par do que se passa no terreno e de «não possuir toda a informação sobre a situação» na grande cidade do Norte da Síria. «De outra forma, [o representante da ONU] prestaria atenção às atrocidades cometidas pelos grupos terroristas. O facto de não as mencionar evidencia, infelizmente, que não possui informação sobre o que é a realidade na Síria e em Alepo», disse Peskov à comunicação social.

Festejos nas ruas de Alepo

Ontem, ao fim do dia, muitos habitantes dos bairros ocidentais de Alepo vieram para as ruas festejar a libertação iminente da cidade, depois de fontes militares sírias terem anunciado que «estavam a poucos momentos de declarar a vitória». A PressTV e a HispanTV dão conta da grande emoção vivida pela população e pelos militares sírios, que disparam tiros para o ar, em sinal de alegria.

Os bairros libertados pelo Exército sírio na segunda-feira, nas imediações da Cidade Velha, estão hoje a ser passados «a pente fino»; e os últimos terroristas apoiados pelas potências ocidentais e seus aliados regionais estão entrincheirados em três ou quatro bairros, revela a PressTV. Uma fonte militar síria não identificada disse que Alepo será «completamente» libertada hoje ou amanhã.