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Dois presos palestinianos em estado crítico em cadeias israelitas

Ra'ed Rayyan, de 27 anos, e Khalil Awawdeh, de 40, protestam há semanas contra o regime de detenção administrativa que permite mantê-los na cadeia sem acusação e julgamento. Ambos estão em estado crítico.

Mulheres palestinianas com cartazes de apoios a prisioneiros em greve de fome
Mulheres palestinianas com cartazes de apoios a prisioneiros em greve de fome Créditos / Samidoun

Rayyan, da aldeia de Beit Duqqu, perto de Jerusalém, está em greve de fome há 103 dias, depois de ter sido detido pelas forças israelitas a 3 de Novembro de 2021.

Segundo refere a agência WAFA, o preso palestiniano, que se encontra no hospital da prisão de Ramla, sofre de diversas complicações de saúde devido ao longo período de jejum.

Por seu lado, Khalil Awawdeh, da localidade de Idna (província de al-Khalil), encontra-se em greve de fome há 17 dias, tendo retomado o protesto a que pôs fim no mês passado, depois de as autoridades israelitas lhe terem garantido que a sua detenção administrativa não seria renovada.

No entanto, a promessa feita a Awawdeh, que esteve 111 dias em greve de fome, não foi cumprida e, uma semana depois de ter parado o protesto, o prisioneiro palestiniano voltou ao jejum.

Awawdeh, que está no hospital prisional Assaf Harofeh, sofre de dores de cabeça, fadiga, visão desfocada, dores nas articulações, batimento cardíaco irregular, vómitos frequentes e perda significativa de peso.

Neste contexto, a Comissão dos Assuntos dos Presos e ex-Presos Palestinianos anunciou que os presos estão a realizar consultas nos cárceres israelitas com vista à realização de um protesto de apoio a Rayyan e Awawdeh, informou o dirigente da entidade, Qadri Abu Bakr.

Na cadeia, sem acusação ou julgamento

O regime de detenção administrativa, que tem merecido ampla condenação internacional, permite a Israel manter nas suas prisões, sem acusação ou julgamento, presos palestinianos por tempo indefinido, na medida em que o período de detenção, até seis meses, é infinitamente renovável.

Alguns prisioneiros palestinianos passaram mais de uma década nas cadeias israelitas ao abrigo deste sistema, e é comum os presos recorrerem a greves de fome por tempo indeterminado como forma de chamar a atenção para os seus casos e fazer pressão junto das autoridades israelitas para que os libertem.

Estima-se que, actualmente, estejam nas cadeias israelitas quase 700 presos palestinianos ao abrigo da detenção administrativa, considerada ilegal pelo direito internacional.

Quase 4000 palestinianos detidos no primeiro semestre do ano

As forças de ocupação israelitas prenderam 3873 palestinianos na primeira metade de 2022, informaram, num relatório conjunto, divulgado no início deste mês, quatro organizações – Comissão dos Assuntos dos Presos e ex-Presos Palestinianos, Sociedade dos Presos Palestinianos, Addameer e o Centro de Informação Wadi Hilweh.

Só no mês de Junho, foram detidas 464 pessoas nos territórios ocupados, revelaram, acrescentando que, actualmente, há 4650 palestinianos presos em cadeias israelitas.

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