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Contra a precariedade, elevada adesão à greve no Serviço Basco de Saúde

Apesar dos serviços mínimos «abusivos», denunciados pelos sindicatos, a adesão dos trabalhadores à jornada de luta foi grande e houve manifestações em Bilbau, Donostia e Vitória-Gasteiz.

Mobilização em Donostia durante da a jornada de greve 
Mobilização em Donostia durante da a jornada de greve CréditosAndoni Canellada / naiz.eus

A greve desta segunda-feira no Osakidetza – Serviço Basco de Saúde foi a quarta levada a cabo este ano pelos trabalhadores, que denunciam as decisões «unilaterais», a «senda da imposição», o «imobilismo» e a falta de negociação por parte do Departamento da Saúde.

Foi convocada pelos sindicatos SATSE, ELA, LAB, CCOO, UGT e ESK em todos os cuidados especializados e na Rede de Saúde Mental, para denunciar a precariedade existente em ambas as áreas e exigir soluções imediatas.

No Centro Basco de Transfusões e Tecidos Humanos, que ontem realizou a oitava jornada de greve em 2022, a adesão foi total, segundo refere o portal naiz.eus. Em virtude disso, os serviços de cirurgia nos hospitais Zumarraga, Mendaro ou San Eloy estiveram encerrados.

Apesar dos elevados serviços mínimos decretados, que, «como vem sendo habitual, deixaram sem direito à greve milhares de trabalhadores», as organizações sindicais fizeram uma avaliação muito positiva da jornada de luta, que incluiu manifestações nas três capitais provinciais da Comunidade Autónoma Basca.

Num comunicado conjunto, os sindicatos afirmaram a este propósito que, durante a pandemia, o Departamento do Trabalho aumentou os serviços mínimos habituais, que «já eram abusivos», e actualmente, apesar de ter levantado a quase totalidade das restrições nas ruas, continua a apoiar-se na pandemia para manter o aumento no número de efectivos.

Na semana passada, sindicatos e Osakidetza reuniram-se para negociar, mas o encontro não serviu para materializar avanços, segundo revelaram as organizações representativas dos trabalhadores.

Explicaram que o Osakidetza se recusou a pôr fim à elevada taxa de precariedade no sector da saúde pública, que ronda os 58% e afecta mais de 24 mil trabalhadores. Neste contexto, afirmam, o Osakidetza apenas aceitou conferir estabilidade a 3700 postos de trabalho.

«Temos outra pandemia: a falta de pessoal e a perda de direitos»

Em declarações à imprensa, recolhidas pelo naiz.eus, Amaia Mayor, do SATSE, disse que, «no Oskaidetza, temos outra pandemia: a falta de pessoal e a perda de direitos», sublinhando o excesso de trabalho que os funcionários enfrentam, bem como a «perda de qualidade e serviços» por parte dos utentes.

Por seu lado, o sindicato LAB exigiu ao Serviço Basco de Saúde e ao governo de PNV e PSE que «deixem de faltar ao respeito aos trabalhadores», acrescentando que existe vontade de negociar, apesar daquilo que o Osakidetza mostrou até agora.

Esther Saavedra, responsável do ELA do Osakidetza, comentou que impor uma taxa de estabilização de 3700 vagas é um número «totalmente escasso», sobre o qual não houve «nenhum tipo de negociação».

Ana Vazquez, da UGT, lembrou que, no actual contexto e especialmente agora, que se aproxima o Verão, os funcionários não podem tirar as férias que querem, nem dias de descanso, nem licenças.

O Osakidetza tem «problemas estruturais» que têm de ser abordados «urgentemente», lembrou Iñigo Urduño, das CCOO, esperando que haja negociação e «se possa chegar a acordos para melhorar o sistema público de saúde».

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