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Condutores de tuk tuks na miséria não querem a «Ola ou Uber» em Tamil Nadu

A falta de passageiros durante a pandemia, a subida do preço dos combustíveis e a não revisão das taxas por quilómetro (desde 2013) empurraram os condutores dos auto-riquexós para uma situação difícil.

Protesto em Chennai contra o aumento dos combustíveis 
Protesto em Chennai contra o aumento dos combustíveis Créditos / CITU

Apesar de o número de novos casos de Covid-19 estar a descer bastante a cada dia que passa e o governo de Tamil Nadu (Sul da Índia) ter aliviado significativamente as restricções impostas para conter a pandemia, os condutores dos auto-riquexós continuam sem encontrar passageiros, em grande medida porque as escolas, faculdades e muitas indústrias do estado ainda não reabriram.

Outra razão para este cenário – refere o Newsclick – é o anúncio recente de viagens grátis para mulheres nos autocarros. A medida, com ampla aceitação, foi tomada pelo governo do Dravida Munnetra Kazhagam (DMK), recentemente eleito, para promover o transporte público.

Os condutores dos tuk tuks sentiram o impacto. Foi como «o último prego no caixão», depois da ausência de clientes na pandemia e do aumento do preço dos combustíveis. Por isso, indica a fonte, muitos condutores estão a desistir e procurar outro trabalho.

Ainda assim, os sindicatos apresentaram uma proposta para tentar lidar com a situação. Exigem que, em vez dos operadores privados como a Ola ou a Uber, que põem em contacto os condutores com os passageiros, seja o governo a assumir o controlo do processo. Deste modo, defendem, o estado poderá também compensar os condutores dos auto-riquexós quando estão sem trabalho por longos períodos.

Explorados e sem revisão de preços desde 2013

A última vez que a tabela das tarifas dos tuk tuks foi revista em Tamil Nadu foie m 2013, com o preço mínimo fixado em 25 rupias para o primeiro 1,8 quilómetro e em 12 rupias para cada quilómetro seguinte.

Entretanto, os preços dos combustíveis aumentaram mais de 15 rupias por litro, e a Tamil Nadu Auto-Rickshaw Workers Federation (Federação dos Trabalhadores de Auto-riquexós de Tamil Nadu), que reúne 45 sindicatos, exige que a tarifa passe para as 40 rupias para o primeiro 1,5 quilómetro e para as 20 rupias por cada quilómetro subsequente.

Uma queixa frequente contra os condutores de tuk tuks de Chennai – uma cidade metropolitana, com mais de nove milhões de habitantes – é a de que não cobram aos passageiros de acordo com as taxas em vigor. Os condutores defendem-se afirmando que as tarifas actuais não acompanharam as despesas de combustível e não fazem frente às suas necessidades diárias.

Quando se chama um auto-riquexó via Ola ou Uber, o condutor recebe apenas o preço fixado para a distância viajada respectiva. O resto do dinheiro vai para os bolsos dos operadores privados, que se diz ser 30% do que o passageiro paga. Por isso, os condutores rejeitam a Ola e a Uber.

Estas aplicações também aumentam os preços de acordo com a procura, especialmente durante as horas de ponta, dias de festivais e em viagens para fora da cidade. No entanto, os condutores dificilmente fazem 10 ou 20% deste aumento.

Balasubramanian, presidente da federação sindical, disse ao Newsclick que, «inicialmente, a Ola e a Uber deram bons incentivos ao condutores, incluindo telefones android. Mas agora tomaram conta de todo o sector e são eles que ditam as regras. É por isso que pedimos ao governo que assuma o papel destes operadores».

Protest em Tirunelveli contra o aumento do preço dos combustíveis / CITU 

«Reduzidos a nada»

Apesar de o governo de Tamil Nadu ter decretado às companhias de seguros que não cobrassem prestações durante seis meses para tuk tuks comprados com recurso a empréstimos durante a pandemia, os bancos não o estão a autorizar, penalizando os condutores que falhem a data do pagamento.

Nos últimos meses, houve vários protestos no estado contra o aumento do preço dos combustíveis e os condutores de auto-riquexós participaram em grande número, segundo o Newsclick.

«Sem trabalho durante vários meses, hipotecámos todos os nossos bens. Mesmo sem rendimentos, temos de pagar os impostos. E, em cima disso, a prestação do empréstimo. Isto é impossível», disse um condutor num protesto realizado na zona Sul de Chennai.

De acordo com números oficiais, há 260 mil auto-riquexós e 320 mil condutores no activo em Tamil Nadu. «Conduzir um tuk tuk é uma boa profissão; temos o nosso meio de emprego e não nos curvamos perante niguém. Mas agora estamos reduzidos a nada. Um condutor começou a vender amendoins, outro está a tentar a sua sorte na agricultura», disse Balasubramanian.

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