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Com ingerência nos assuntos da Bolívia, PE quer «impunidade» para Áñez

Autoridades e dirigentes políticos bolivianos repudiaram a resolução do Parlamento Europeu que solicita a libertação de Jeanine Áñez, golpista que assumiu a presidência do país em 2019.

A perseguição golpista atinge manifestantes nas ruas que exigem democracia e a renúncia da «autoproclamada» Jeanine Áñez
A perseguição golpista atinge manifestantes nas ruas que exigem democracia e a renúncia da «autoproclamada» Jeanine Áñez (imagem de arquivo) Créditos / Página 12

Esta semana, o Parlamento Europeu (PE) classificou como «presos políticos» a ex-presidente interina autoproclamada, que assumiu o cargo na sequência do golpe de Estado que derrubou Evo Morales, em 2019, e dois dos seus ministros, tendo solicitado às autoridades de La Paz a sua libertação.

A ex-presidente golpista, o ex-ministro da Energia, Rodrigo Guzmán, e o ex-ministro da Justiça e Transparência Institucional, Álvaro Coímbra, estão presos por, alegadamente, terem cometido os crimes de sedição, conspiração e terrorismo, pelos quais estão a ser investigados.

A este propósito, o presidente do Senado, Andrónico Rodríguez, referiu que os deputados do PE que se pronunciaram sobre a situação judicial de Áñez e os seus ex-ministros incriminados pretendem a «impunidade».

«Expressamos o nosso repúdio pela ingerência do PE, que, por iniciativa da extrema-direita, quer a impunidade de Jeanine Áñez e dos seus ministros», escreveu Rodríguez na sua conta de Facebook, segundo informa a Agência Boliviana de Informação.

Tendo convidado os deputados europeus e os organismos internacionais a verificarem que «não se violou qualquer direito na Bolívia», o presidente do Senado afirmou que «os bolivianos não querem vingança pelo golpe de Estado e os massacres de Senkata e Sacaba, mas, sim, justiça».

No Twitter, o presidente da Câmara dos Deputados, Freddy Mamani, escreveu que «o PE, a partir de especulações, faz um pedido irresponsável, uma vez que não realizou qualquer tipo de verificação sobre a situação de Jeanine Áñez. A Bolívia é um país soberano, onde se procura justiça pelos factos de 2019. Rejeitamos qualquer tipo de ingerência».

Por seu lado, o presidente do Movimento para o Socialismo (MAS), Evo Morales, afirmou que «a extrema-direita do PE confirma com a sua resolução a cumplicidade com o golpe de Estado e, numa clara atitude intervencionista, pede impunidade e que se esqueça os mortos de Sacaba e Senkata».

Resolução do PE condenada por bolivianos residentes em França

A Wiphala France, organização de bolivianos residentes em França, condenou a resolução do PE aprovada na quinta-feira, por intervir nos assuntos internos do país sul-americano.

Yaneth Ramos, presidente da associação, disse à Prensa Latina que andavam há algum tempo a denunciar a situação, desde que viram a agenda promovida pela extrema-direita espanhola no PE e a «desinformação gerada em torno do que se passou na Bolívia e da autoproclamação de Áñez, que pretendem vitimizar».

Para Ramos, os deputados que apoiaram a iniciativa deviam explicar a sua atitude e a tentativa de apresentar o governo do presidente eleito Luis Arce como perseguidor, quando foi o governo golpista que perseguiu, espalhou a morte e silenciou a verdade.

«O povo da Bolívia decidiu nas urnas e cabe-nos, onde quer que estejamos, defender a democracia e dizer "não" ao fascismo e à impunidade», afirmou.

Ramos destacou a importância de manter Áñez na prisão, para que preste contas à Justiça, porque existe um perigo real de fuga do país, como já o fizeram alguns dos participantes no golpe.

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