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CIG denuncia «banquete de lucros» da banca, enquanto a pobreza aumenta

Delegados da CIG entraram, esta quarta-feira, em sucursais bancárias da Galiza para denunciar «o banquete de lucros» à conta da subida das taxas de juro, enquanto a pobreza alastra entre os trabalhadores.

Acção numa sucursal do Santander na Corunha 
Acção numa sucursal do Santander na Corunha Créditos / CIG

A Confederação Intersindical Galega (CIG) levou a cabo a ocupação simbólica de diversas sucursais do Santander, BBVA e Abanca nas cidades da Corunha, Vigo, Pontevedra, Compostela, Ferrol, Lugo e Ourense.

Nas acções, que decorreram de forma simultânea, delegados da central sindical de classe apontaram a engorda da banca, nomeadamente, à custa da «injusta subida de diferentes tipos de juros», num contexto em que «os trabalhadores recebem salários de miséria, a pobreza alastra, aumenta o número de pessoas sem casa e de dia para dia mais famílias têm problemas para poder fazer frente ao pagamento da hipoteca e dos preços dos produtos de primeira necessidade».

Presente numa das iniciativas, na Corunha, o secretário-geral da CIG, Paulo Carril, explicou que as acções reivindicativas tinham lugar em entidades financeiras «porque os bancos – juntamente com as distribuidoras de alimentação e as empresas energéticas – representam esta festa de lucros do capital».

Acção num banco em Pontevedra / CIG

A este propósito, lembrou que, só no primeiro semestre deste ano, a grande banca espanhola aumentou o seu lucro em 20,2%, ganhando mais de 12,3 mil milhões de euros.

Na crise financeira de 2008, a dívida pública traduziu-se em cortes sociais, aumento da pobreza e perda de direitos «para resgatar os bancos», que, actualmente, «só se preocupam em aumentar de maneira espectacular os seus lucros; ou seja, engordar mais e mais os dividendos que vão dividir pelos accionistas», denunciou Carril, citado pelo portal da CIG.

Alertando, como o fez o Banco de Espanha, para o modo diligente como a banca espanhola passa as subidas decididas pelo Banco Central Europeu (BCE) para as hipotecas ou aos créditos pessoais, Carril notou como a banca não tem a mesma pressa em remunerar os depósitos dos seus clientes.

Com as contínuas subidas das taxas de juro, o custo médio de uma hipoteca aumentou mais de 15% em relação a 2021, afirmou Paulo Carril, que chamou a atenção para a situação da Galiza, onde triplicou o número de pessoas sem casa, e se registou a maior subida no não pagamento das hipotecas desde 2014.

Acção da CIG num banco em Ourense / CIG

Para o secretário-geral da CIG, esta situação mostra «como os governos estão a errar nas suas políticas, permitindo que, com a desculpa da inflação, os bancos e a política monetária continuem a marcar a vida real do conjunto do povo e da classe trabalhadora, aumentando a pobreza».

Políticas de intervenção pública nos sectores estratégicos

Neste sentido, Carril insistiu na reivindicação de políticas de intervenção pública em sectores estratégicos, como o energético ou o financeiro, e a aposta na criação de uma banca pública ao serviço do povo e das necessidades do sector produtivo.

Exigiu ainda o congelamento das cláusulas das hipotecas variáveis; o congelamento dos preços das rendas; a proibição de todos os despejos em curso, alargando esta prática a 2024 e 2025.

Nesta linha, criticou a Xunta da Galiza por ser «incapaz» de criar habitação social em número suficiente para garantir o acesso a uma habitação digna, enquanto os preços das rendas atingem valores exorbitantes.

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