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China agradece e retribui solidariedade a Portugal

A comunidade chinesa em Portugal junta-se ao governo chinês no apoio à luta de Portugal contra a COVID-19, retribuindo a solidariedade portuguesa para com a China.

Trabalhadores na cadeia de montagem de uma fábrica de luvas em Huabei, na província de Anhui (Leste da China), a 23 de Março de 2020. Após controlar a epidemia de Covid-19 no seu território, a China está a tornar-se um dos maiores fornecedores mundiais de artigos médicos para outros países afectados pela pandemia
Trabalhadores na cadeia de montagem de uma fábrica de luvas em Huabei, na província de Anhui (Leste da China), a 23 de Março de 2020. Após controlar a epidemia de Covid-19 no seu território, a China está a tornar-se um dos maiores fornecedores mundiais de artigos médicos para outros países afectados pela pandemia Créditos / AFP/Getty Images

A Embaixada da República Popular da China em Portugal anunciou a 23 de Março que o governo chinês vai doar materiais de apoio e facilitar a Portugal a aquisição de equipamentos para enfrentar a pandemia de COVID-19.

Em nota enviada à Lusa, o embaixador da China em Portugal, Cai Run, confirmou ter promovido e coordenado esforços para que cidades como Pequim, Xangai, Shenzhen, Zhuhai e Shenyang (entre outras) tenham «doado prontamente» às cidades geminadas portuguesas respectivas, «materiais de protecção, como máscaras médicas, fatos, etc.».

O embaixador chinês indicou também que o grupo China Three Gorges, o maior accionista da EDP, se juntou à companhia eléctrica portuguesa para a aquisição de materiais e equipamentos médicos – «ventiladores, monitores, máscaras médicas, fatos e óculos de protecção» –, com vista à sua doação a Portugal, assegurando que os meios «vão chegar em breve» ao país.

Outros membros da comunidade chinesa em Portugal juntam-se às acções solidárias do governo chinês. Segundo o embaixador Cai Run, a comunidade chinesa adquiriu ventiladores que «estão prestes a chegar a Portugal e serão doados à parte portuguesa», tendo um cidadão chinês residente já doado à Direcção-Geral da Saúde (DGS), «num primeiro momento, fatos de protecção».

Na nota enviada à Lusa o embaixador agradeceu às autoridades portuguesas a solidariedade demonstrada durante a crise provocada pelo coronavírus na China e usou o ditado popular «no aperto do perigo, conhece-se o amigo», para espelhar a cordialidade das relações entre os dois países.

Relativamente à cooperação com Portugal no combate à pandemia do novo coronavírus, referiu que a Embaixada da China em Lisboa «tem mantido comunicação e coordenação estreitas com o governo português e as suas autoridades competentes», nomeadamente «o Ministério dos Negócios Estrangeiros, o Ministério da Saúde e a DGS», em paralelo articulando-se «com as autoridades competentes chinesas, assim como autoridades locais e empresas».

A pandemia causada pelo novo coronavírus, designado como SARS-CoV-2, infectou à data cerca de 387 mil pessoas em mais de 180 países e causou mais de 17 mil mortes.

No território continental da China (sem Taiwan, Hong Kong e Macau) verificaram-se mais de 81 mil casos e registaram-se cerca de 3300 mortes, mas a epidemia teve uma resposta rápida por parte das autoridades chinesas, com a colaboração dos cidadãos, tendo a mesma sido controlada.

O país está a regressar à normalidade, com 70% das empresas em funcionamento. Nas províncias de Liaoning, Sichuan, Jiangxi, Zhejiang e nas municipalidades de Beijing e Xangai os espaços de entretenimento, museus, restaurantes e centros comerciais já reabriram. Para além disso, 15 províncias anunciaram a reabertura das escolas de ensino secundário já este mês.

A atitude das autoridades chinesas tem sido largamente elogiada pela Organização Mundial da Saúde, que tem incentivado outros países a seguirem o exemplo da China.

O foco da pandemia encontra-se neste momento nos EUA e em países-membros da União Europeia (UE), tanto em número de casos infecciosos como em mortalidade, atingindo com particular dureza Itália, Espanha, Alemanha e França, países que, no conjunto, contam cerca de 160 mil casos infecciosos e 10 mil mortes.

Em Portugal, há 23 mortes e 2060 infecções confirmadas, segundo o balanço feito ontem pela DGS. Dos infectados, 201 estão internados, 47 dos quais em unidades de cuidados intensivos.

Com Lusa

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