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Casa das Américas denuncia cimeira dos EUA contra a «ameaça vermelha»

A instituição cultural alerta para a reactivação da retórica do medo ao comunismo por parte de Washington e aliados como forma de justificar uma nova vaga de repressão a nível continental e mundial.

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A Casa das Américas, com sede em Havana, pediu aos povos da região para fazerem frente à ofensiva neofascista promovida pelos EUA Créditos / Al Mayadeen

Numa declaração divulgada esta segunda-feira, a Casa das Américas denuncia que o governo norte-americano recorre ao esquema primitivo fascista de atiçar o medo face a uma suposta «ameaça vermelha», «para justificar a repressão e a barbárie».

Isto ocorre «precisamente numa altura em que a nossa região assiste a vitórias de candidatos de extrema-direita dispostos não só a desmantelar programas progressistas, mas também a servir de escudeiros da agenda imperial», frisa a instituição com sede em Havana.

A declaração, intitulada «Um espectro sinistro percorre o mundo», responde ao apelo de Washington para a realização de uma cimeira durante os últimos jogos do Campeonato do Mundo, centrada no combate ao terrorismo alegadamente promovido pela esquerda.

O encontro, convocado pelo secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, contará com a participação de representantes de mais de 60 países e, de acordo com os organizadores, tem por fito enfrentar o «ressurgimento do extremismo político transnacional e as redes violentas de extrema-esquerda».

Sobre a definição de terrorismo expressa pelo porta-voz do Departamento de Estado («assassinatos, sequestros, ameaças a instalações e forças da ordem, bem como ataques à infra-estrutura crítica, ao pessoal militar e à população civil»), o texto sublinha que parece, acima de tudo, «uma descrição do trabalho secreto ou aberto do seu próprio governo».

Quando os EUA falam de democracia e direitos humanos…

O documento emitido pela Casa das Américas alerta para o perigo deste discurso, que «deve ser levado muito a sério». «Quando os governantes dos Estados Unidos e os seus comparsas falam de democracia e de direitos humanos, o que se segue, geralmente, é uma atrocidade disfarçada de boas maneiras», alerta. 

«Quando falam de terrorismo, o que se segue é a Operação Condor, tortura e desaparecimentos aos milhares, como a América Latina bem sabe; ou bombardeamentos e caos, como os sofridos noutras partes do mundo», declara a instituição, relembrando antecedentes na região e mais além.

Instituição de referência criada logo após o triunfo da Revolução Cubana também para promover a integração da literatura, da arte e do pensamento da América Latina e das Caraíbas, a Casa recorda que Cuba, «que foi vítima do terrorismo», «sabe bem onde levam as cínicas estratégias e acusações ianques».

A declaração faz ainda referência às expressões de neofascismo que marcam o actual Mundial de futebol masculino, de que os EUA são um dos co-organizadores, apontando casos como o do árbitro somali Omar Artan, a quem foi recusada a entrada nos Estados Unidos; as restrições impostas à equipa iraniana; ou o racismo sofrido por vários futebolistas e equipas.

Neste contexto, a Casa das Américas afirma que «cabe aos povos da América Latina e Caraíbas, ao próprio povo norte-americano, aos seus intelectuais, movimentos sociais e sectores que se identificam com os mais elementares direitos à dignidade, à soberania e à justiça, enfrentar a nova e ameaçadora ofensiva neofascista».

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