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Cânticos tradicionais de Alepo são património da humanidade

A inclusão dos al-Qudud al-Halabiya na lista do património imaterial mostra que «o mundo nos reconhece como construtores de civilização», sublinhou esta quinta-feira a ministra síria da Cultura.

A zona central de Bab al-Faraj, na grande cidade do Norte da Síria (imagem de Novembro de 2008) 
A zona central de Bab al-Faraj, na grande cidade do Norte da Síria (imagem de Novembro de 2008) Créditos / AbrilAbril

A Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) inscreveu, na quarta-feira, a arte musical tradicional síria conhecida como al-Qudud al-Halabiya, originária da província de Alepo, na lista do Património da Humanidade.

Sobre a decisão – tomada durante a 16.ª reunião do Comité Intergovernamental para a Salvaguarda do Património Cultural Imaterial, a decorrer em França –, a responsável síria pela pasta da Cultura, Lubana Mushawah, disse que se trata de um reconhecimento mundial à «nossa cultura herdada através das gerações».

Numa conferência de imprensa em Damasco, destacou o «feito» e a sua importância para «proteger e preservar o património nacional», lembrando que o país, depois de dez anos de guerra de agressão e de ter libertado do terrorismo a maior parte do seu território, «enfrenta um bloqueio económico e psicológico que visa destruir a identidade e a vontade da Síria, e minar a sua capacidade de resistir e dar», indica a agência SANA.

Por seu lado, Fares Kalas, membro da Secretaria Síria para o Desenvolvimento, disse que a guerra contra «a identidade síria nos levou a tomar medidas para a proteger, por via da compilação e documentação do património imaterial, do registo das perdas a que a sociedade e os sítios arqueológicos foram expostos».

Al-Qudud, a «bebedeira sem álcool» e a resistência

O al-Qudud al-Halabiya (de Halab – Alepo, em árabe) é um género musical característico da Síria, originário de Alepo, em que os versos se ajustam a uma determinada melodia.

«As suas letras variam consoante o tipo de evento em que são interpretadas, tendo em conta que os cantores experimentados também podem improvisar letras próprias», afirma a Unesco numa nota sobre al-Qudud al-Halabiya.

«Os intérpretes – refere a Unesco – atingem o apogeu do seu talento prolongando extraordinariamente uma nota ou repetindo múltiplas vezes uma frase, de tal forma que o público entra num estado emocional semelhante ao êxtase, chamado tarab, que popularmente se descreve como "uma bebedeira sem álcool"».

«Este elemento do património cultural imaterial está profundamente arraigado na cultura dos alepinos e é um factor que contribui para a resistência da população no contexto da guerra», diz ainda a nota da Unesco.

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