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Biden segue os passos de Trump no que respeita a Cuba

O bloqueio imposto pelos EUA a Cuba mostra uma agressividade sem precedentes, denunciou o diplomata Bruno Rodríguez, que acusou Biden de seguir a política de máxima pressão do seu antecessor.

Mobilização no Reino Unido contra o bloqueio imposto a Cuba 
Mobilização no Reino Unido contra o bloqueio imposto a Cuba Créditos / @BrunoRguezP

Ao apresentar, esta quarta-feira, um novo relatório sobre o impacto do cerco unilateral, o ministro dos Negócios Estrangeiros de Cuba, Bruno Rodríguez, afirmou que, entre Agosto de 2021 e Fevereiro de 2022, o bloqueio provocou perdas superiores a 3,8 mil milhões de dólares, verba que, aponta a Prensa Latina, o diplomata classificou como «histórica» para um período de apenas sete meses.

Em conferência de imprensa, o chefe da diplomacia cubana lembrou que a política unilateral referida ganhou um nível sem precedentes com o governo do ex-presidente Donald Trump (2017-2021).

Em simultâneo, destacou que o bloqueio imposto à Ilha apresenta uma dimensão maior, mais perversa e daninha, com uma qualidade agressiva que não tinha tido antes, indica a agência cubana.

Só nos primeiros 14 meses da administração de Joe Biden, os prejuízos causados pelo bloqueio atingiram mais de 6,3 mil milhões de dólares, o que representa um dano superior a 454 milhões de dólares por mês e mais de 15 milhões de dólares por dia.

Ainda assim, Rodríguez considerou que os anúncios da Casa Branca sobre Cuba realizados em Maio último são «positivos» e vão na «direcção correcta», mas com um carácter «muito limitado» e que «não altera o alcance e a profundidade dessa política».

«A existência do bloqueio é uma realidade inocultável, ninguém poderia seriamente afirmar que não existe ou é um mero pretexto, é tangível e atinge e prejudica cada família do país caribenho, cubanos que vivem nos Estados Unidos, cidadãos norte-americanos e empresas de todo o mundo», disse o ministro cubano na apresentação do relatório.

Rodríguez destacou que os poucos fornecedores que decidiram manter o abastecimento de produtos à Ilha aumentaram os preços e, ao mesmo tempo, os EUA aplicam medidas de intimidação e perseguição às empresas de abastecimento de combustível.

«Cuba tem direito a viver sem o bloqueio»

Apesar das adversidades, as transformações no país caribenho não pararam, disse o diplomata, que deu como exemplo a expansão e o registo de milhares de novas e pequenas empresas, tanto estatais como privadas.

Referiu-se igualmente à aposta permanente do país no desenvolvimento científico, na tecnologia e inovação como pilar da gestão de governo e das transformações que «garantem o progresso do nosso modelo socialista», disse.

«O bloqueio continua a limitar estes esforços, jamais renunciaremos ao nosso projecto de justiça social», frisou, citado pela Prensa Latina.

«Cuba tem direito a viver sem bloqueio, em paz e, dessa forma, os Estados Unidos seriam também um país melhor», afirmou ainda o diplomata.

No próximo mês de Novembro, a Assembleia Geral das Nações Unidas irá analisar e votar, pela trigésima vez, a questão do cerco imposto pelos Estados Unidos da América a Cuba.

Nas ocasiões anteriores, a política norte-americana em relação à Ilha foi rejeitada de forma quase unânime, tanto pelo «resto do mundo» como pela chamada «comunidade internacional».

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