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|Síria

«Aumenta o medo entre os cristãos»: padre Fadi Azar denuncia clima de insegurança

Quase dois anos após o golpe de Estado que derrubou Bashar al-Assad, com o apoio dos EUA e de diversos governos da União Europeia, a realidade vivida pelas minorias religiosas na Síria, em especial pelos cristãos, continua a inspirar preocupação.

Créditos Mohammed Al Rifai / EPA

Na sua passagem pela Europa, na última passada, o padre Fadi Azar, sacerdote franciscano da Custódia da Terra Santa a residir em Alepo, traçou um retrato sombrio do país. Segundo o sacerdote, o clima de insegurança agravou-se consideravelmente. A criminalidade disparou devido à gravidade da situação económica, à inflação galopante e aos despedimentos em massa de antigos funcionários públicos e membros das Forças Armadas, deixando muitos jovens e chefes de família sem fontes de rendimento.

«A falta de segurança aumentou enormemente; estão a ocorrer inúmeros sequestros e saques por parte de grupos criminosos», alertou o padre Fadi, ilustrando a mudança com o contraste de que, outrora, as portas das casas podiam ficar abertas, enquanto hoje em dia se multiplicam as medidas de segurança nas habitações para prevenir o roubo de bens essenciais, como contadores de eletricidade e de água.

Além da criminalidade comum, o sacerdote alerta para a perseguição dacomunidade cristã, com episódios de violência directa e discriminação. 

O atentado de Junho de 2025 contra a igreja ortodoxa de São Elias, em Damasco, a destruição de cemitérios cristãos, as mensagens de ódio em igrejas e espaços cristãos e a pressão de grupos islâmicos radicais apoiantes do regime de al-Sharaa, exortando os cristãos a converterem-se ao Islão, alegando que essa é a verdadeira fé, têm lançado o pânico entre os cristãos.

Também no campo laboral surgem relatos de discriminação de praticantes da fé cristã, o que tem alimentado os desejos de emigração entre famílias e jovens sírios. «Alguns perderam os empregos pelo facto de serem cristãos, outros não conseguem aceder a determinados postos de trabalho devido a esta discriminação», assegura o padre. De recordar que, até ao golpe que colocou no poder o ex-líder terrorista (Abu Mohammed al-Jolani, que integrou o Estado Islâmico, a Al-Qaeda e o Hayat Tahrir al-Sham), a Síria mantinha um regime secular que reconhecia e protegia todas as minorias religiosas. Apesar de a Síria ser um Estado de maioria Sunita, o antigo presidente, Bashar al-Assad, era membro da minoria Aluíta (um ramo Xiita do Islão), mas mantinha a garantia da segurança física e liberdade de culto a todas as correntes religiosas, além de legalmente estar vedada qualquer discriminação por força da opção religiosa. 

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