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|Assembleia da República

«Amanhã sairá à rua a esperança de que é possível romper com o desastre nacional»

Numa interpelação ao Governo sobre o custo de vida, Paulo Raimundo questionou como seria o país se a política do Executivo não fosse no sentido de favorecer os poderosos. Do Governo ouvem-se estatísticas, desvalorização das dificuldades das famílias e provocações a manifestantes.
 

Créditos Rodrigo Antunes / Agência Lusa

«O PCP avança hoje com esta interpelação com o objectivo de debater a realidade da vida, na falta de respostas às dificuldades e aos problemas crescentes, uma interpelação de confronto com uma política errada que precisa de ser travada». Foi assim que Paulo Raimundo, secretário-geral do PCP, deu inicio ao debate realizado na Assembleia da República nesta manhã de sexta-feira.

Na véspera da grande jornada de luta que foi convocada pela CGTP-IN, agendada para Lisboa, Porto e Coimbra, o PCP trouxe, assim a debate, um tema que toca uma grande franja da população: «O agravamento das condições de vida e negação de direitos fundamentais, habitação, saúde, educação».

Ao longo da sua intervenção, Paulo Raimundo fez um exercício de imaginação. O comunista elencou os diversos problemas do país e questionou como seria o estado de cada sector questionando como seria se o Governo tivesse adoptado outra política. «Como seria a vida da maioria se não fosse de salários baixos demais para um mês cada vez maior?», foi uma das várias questões feitas.

Para não dar espaço a respostas transviadas, para as várias questões colocadas, o secretário-geral do PCP disse que «o país que precisa que a juventude cá viva, cá estude, cá trabalhe, que cá contribua para um País que tem futuro, a juventude precisa que o seu País lhe garanta salários, estabilidade, habitação, presente e futuro».

Não fugindo ao sentimento das massas populares, Paulo Raimundo considerou que há esperança, apesar do caminho que estamos a assistir, nomeadamente amanhã quando, correspondendo ao apelo da CGTP-IN, o povo sairá à rua para lutar contra a especulação e pela habitação, pelo aumento dos salários e das pensões, para salvar o SNS e para combater a degradação e elitização do Ensino.

«Sairá à rua a força, a determinação e a coragem que derrotou o vosso pacote laboral de ainda mais a precariedade, de ainda mais desregulação dos horários de trabalho, da facilitação dos despedimentos, do trabalho à borla, amanhã sairá à rua a esperança, essa esperança de que é possível romper com o desastre nacional e abrir um novo rumo que o país precisa», garantiu Paulo Raimundo.

Ao secretário-geral comunista seguiu-se o ministro dos Assuntos Parlamentares, Carlos Abreu Amorim, que além da deselegância que lhe é conhecida, quis colocar em prática a narrativa das estatísticas para dizer que o Governo está a corresponder às exigências que lhe estão colocadas. O ministro do Executivo PSD/CDS-PP acabou a sua intervenção galvanizando a descida do IRC e a redução da dívida pública, coisas que, como se sabe, não metem comida na mesma de ninguém.

No espaço dos pedidos de esclarecimentos, confirmou-se as alianças que já são conhecidas, porém, não admitidas. Pelo Chega, Bruno Nunes optou com manter o registo do seu partido e espalhar o seu anti-comunismo primário, numa intervenção que em nada acrescenta com medidas ou ideias para combater o aumento do custo de vida. Mário Amorim Lopes, deputado da Iniciativa Liberal, confirmou a crise de identidade do seu partido e quis ter um discurso que poderia ser lido por um qualquer militante do Chega.

Uma das notas de registo está na intervenção de Paula Santos e combateu a narrativa estatística do Governo com número objectivos. A líder da bancada parlamentar do PCP elencou o vasto conjunto de aumentos verificados nos alimentos e na energia, deixando claro que os rendimentos não tiveram a mesma proporção de aumentos e que, tudo somado no final do mês, a fatura apresenta mais dificuldades para as famílias.

Como seria de esperar, a questão da habitação esteve sempre presente no debate. Enquanto Paulo Raimundo ou Paula Santos vincaram a solidariedade com as populações em luta, um posicionamento que foi acompanhado por Livre e Bloco de Esquerda, em contraste estavam o Governo e a restante direita. O Chega apelou à repressão e opressão e o ministro dos Assuntos Parlamentares, num posicionamento provocatório e anti-democrático, garantiu que o Governo «não vai ceder aos gritos que vêm da rua». 
 

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