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Apesar da repressão israelita, milhares de palestinianos manifestam-se em Gaza

Pela 49.ª semana consecutiva, milhares de palestinianos juntaram-se, esta sexta-feira, em zonas próxima da vedação com que Israel isola a Faixa de Gaza, para participar na Grande Marcha do Retorno.

Milhares de palestinianos insistem em fazer-se ouvir junto às vedações da Faixa de Gaza cercada, apesar da forte repressão das forças israelitas
Milhares de palestinianos insistem em fazer-se ouvir junto às vedações da Faixa de Gaza cercada, apesar da forte repressão das forças israelitas CréditosMustafa Hassona / Anadolu

De acordo com a agência Ma'an, as forças israelitas dispostas ao longo da vedação dispararam contra os participantes na mobilização desta sexta-feira, provocando pelo menos 17 feridos.

Referindo-se aos dados divulgados pelo Ministério palestiniano da Saúde em Gaza, a Ma'an informa que nove manifestantes ficaram feridos ao serem atingidos com fogo real, enquanto outros sofreram efeitos de asfixia por inalação das bombas de gás lacrimogéneo também disparadas pelas forças israelitas.

Para além disso, o Ministério referiu que um jornalista e dois paramédicos foram directamente atingidos por bombas de gás lacrimogéneo.

O Centro Palestiniano para os Direitos Humanos (PCHR, na sigla em inglês) apresenta números muito diferentes, informando no seu portal que os soldados israelitas feriram 83 palestinianos na mobilização de ontem, três dos quais se encontram em estado grave.

A mesma fonte, a que faz referência o Movimento pelos Direitos do Povo Palestino e pela Paz no Médio Oriente (MPPM), sublinha que «dezenas de manifestantes foram atingidos por balas e bombas de gás lacrimogéneo sem que representassem uma ameaça iminente ou perigo para a vida dos soldados».

«Crimes de guerra e contra a humanidade»

O MPPM lembra que «estas novas violações surgem um dia depois de a Comissão de Inquérito Independente das Nações Unidas para investigar as violações cometidas no território palestiniano ocupado ter publicado as suas conclusões relativas ao período de 30 de Março (dia do início da Grande Marcha do Retorno) a 31 de Dezembro de 2018».

De acordo com o relatório da comisssão, «as Forças Armadas israelitas dispararam intencionalmente sobre civis durante os protestos da Grande Marcha do Retorno na Faixa de Gaza no ano passado, matando 189 palestinos e ferindo mais de 6100, podendo tais actos constituir crimes de guerra e crimes contra a humanidade».

Desde que estas manifestações tiveram início, no final de Março do ano passado, mais de 250 palestinianos foram mortos pelas tropas israelitas.

Uma das principais reivindicações destes protestos prende-se com o levantamento do bloqueio imposto pelos israelitas à Faixa de Gaza há 12 anos, que destruiu a economia do enclave e privou os seus cerca de dois milhões de habitantes de infra-estruturas básicas, com consequências humanitárias trágicas.

Nas mobilizações da Grande Marcha do Retorno, os manifestantes afirmam ainda o direito de os refugiados palestinianos – e seus descendentes – regressarem às terras de onde foram expulsos, em 1948, no âmbito da campanha de limpeza étnica levada a cabo por Israel, por ocasião da sua fundação.

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