Angola não vai pedir financiamento ao FMI

Angola desistiu das negociações sobre um eventual «programa de financiamento ampliado» do FMI, tendo apenas solicitado ajuda técnica, informou um porta-voz da organização, citado pela Televisão Pública.

O ministro das Finanças de Angola afirmou não estar em causa um resgate financeiro
O ministro das Finanças de Angola afirmou não estar em causa um resgate financeiroCréditos

Gerry Rice, porta-voz da instituição, disse numa conferência de imprensa em Washington que o presidente angolano, José Eduardo dos Santos, «informou o Fundo Monetário Internacional (FMI) sobre a decisão de manter o diálogo com o fundo apenas no contexto do artigo IV “consultas” e não no da discussão sobre o programa de ajuda EFF [Extended Fund Facility ou Programa de Financiamento Ampliado]».

Rice confirmou que «houve uma alteração» e que «as discussões relativas a um possível programa de assistência já não entram no âmbito dos técnicos», refere-se no portal da Prensa Latina.

O porta-voz explicou que, a 14 de Junho, uma missão do FMI terminou uma visita a Luanda, na qual se analisou a possibilidade de um EFF, e acrescentou que uma equipa do FMI regressará à capital angolana, provavelmente em Outubro, para consultas no âmbito do artigo IV.

A 6 de Abril último, o FMI informou que Angola tinha solicitado um programa de assistência para os próximos três anos, cujos termos foram debatidos nas chamadas Reuniões da Primavera, em Washington, prosseguindo em Luanda na primeira quinzena de Junho.

No final dessa visita, o chefe da missão do FMI, o economista brasileiro Ricardo Velloso, revelou que a instituição estava à espera de que o governo angolano dissesse se mantinha o pedido de assistência financeira.

Citado pela Prensa Latina, o ministro angolano das Finanças, Armando Manuel, esclarece que as negociações com o FMI são de assistência técnica e que não está em causa um resgate económico, acrescentando que a divulgação de notícias segundo as quais Luanda pedia um resgate ao FMI – tal como aconteceu como alguns países europeus – resulta de uma interpretação errada e do desconhecimento do nível de desenvolvimento da economia angolana.

O ministro insistiu que se trata apenas do início de conversações para apoiar a diversificação da economia e maximizar o potencial do país nas áreas da agricultura, pesca, turismo e exploração mineira, revela a mesma fonte.