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Afinal, parece que as tropas dos EUA não saem do Iraque... para já

O Pentágono classificou como «falso alarme» uma carta da «coligação internacional», publicada segunda-feira em diversos meios da imprensa, a informar oficiais iraquianos da retirada futura dos militares dos EUA.

O Parlamento iraquiano aprovou uma resolução favorável ao fim da presença das tropas norte-americanas no país árabe, ao cabo de 16 anos de ocupação
O Parlamento iraquiano aprovou uma resolução favorável ao fim da presença das tropas norte-americanas no país árabe, ao cabo de 16 anos de ocupação Créditos / militarytimes.com

Na carta, datada de 6 de Janeiro e dirigida ao Ministério da Defesa iraquiano, afirma-se que, tendo em conta a «devida deferência para com a soberania da República do Iraque, e de acordo com o [que foi] solicitado pelo Parlamento iraquiano e o primeiro-ministro, a coligação [liderada pelos Estados Unidos] reposicionará as suas forças no decorrer dos próximos dias e semanas para se preparar para o movimento posterior».

Carta do Departamento da Defesa dos EUA ontem divulgada por diversos meios Créditos

«Nós respeitamos a vossa decisão soberana de decretar a nossa partida», lê-se na missiva, que tem a chancela do Departamento da Defesa norte-americano e é subscrita, de forma impressa, por William Seely, general dos Fuzileiros dos EUA e comandante da Força Tarefa no Iraque.

No entanto, após ter vindo a público em meios como The Washington Post ou a agência Reuters, o Pentágono apressou-se a desmentir que os militares estejam de saída do Iraque. Em declarações à imprensa, a que a Reuters faz referência, o secretário da Defesa, Mark Esper, afirmou que «não houve qualquer tipo de decisão para sair do Iraque» e que não sabe o que «a carta é».

Por seu lado, o general norte-americano Mark Milley afirmou que «a carta é um esboço, foi um erro, não foi assinada, nunca devia ter sido publicada». «Mal redigida, implica a retirada. Não é isso que está a acontecer», acrescentou.

Confusão norte-americana após iniciativas iraquinas

Este estado de «confusão» em Washington – que, segundo alguns meios, terá deixado «furioso» o presidente norte-americano, Donald Trump, levando-o a exigir explicações a alguns dos assessores e funcionários da sua administração – segue-se ao ataque militar no Iraque decretado por Trump, na semana passada, em que foi assassinado o general iraniano Qassem Soleimani, comandante da Força Quds da Guarda da Revolução Islâmica e figura de reconhecido prestígio na luta contra a Al-Qaeda e o Daesh.

A agressão norte-americana provocou ainda vários mortos entre as forças iraquianas das Unidades de Mobilização Popular (Hashd al-Shaabi, em árabe), incluindo o seu subcomandante, Abu Mahdi al-Muhandes.

Este domingo, numa sessão extraordinária, o Parlamento iraquiano aprovou uma resolução em que solicita ao governo do país árabe que decrete a retirada do seu território da chamada «coligação internacional» liderada pelos EUA.

Por seu lado, o ainda primeiro-ministro do Iraque, Adel Abdul Mahdi, entregou ontem ao embaixador norte-americano em Bagdade, Matthew Toller, a resolução aprovado no Parlamento com vista à retirada dos cerca de 5000 soldados norte-americanos actualmente no país.

Na sequência da votação parlamentar, Donald Trump ameaçou impor fortes sanções ao Iraque. «Se nos pedem que nos vamos embora, não o faremos de forma muito amigável. Impor-vos-emos sanções como nunca antes viram», disse o presidente dos EUA à imprensa, citado pela Prensa Latina.

«As sanções ao Irão até irão parecer algo suaves, por comparação», acrescentou, ao referir-se às eventuais medidas punitivas contra Bagdade.

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