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«Acabou a lamentação boliviana», afirma Morales no dia do Estado Plurinacional

Com os avanços alcançados nos últimos 13 anos, o país andino abandona uma etapa de vitimismo, de se sentir o pior do mundo, sublinhou o presidente da Bolívia ao discursar na Assembleia Legislativa.

Ao intervir no plenário da Assembleia Legislativa, o chefe de Estado celebrou o nascimento do Estado Plurinacional e destacou os avanços do país em áreas como a saúde, a educação e a economia
Ao intervir no plenário da Assembleia Legislativa, o chefe de Estado celebrou o nascimento do Estado Plurinacional e destacou os avanços do país em áreas como a saúde, a educação e a economia Créditos / eldeber.com.bo

«A realidade mostra que a lamentação boliviana acabou. Agora, vamos seguir em frente, porque temos maneira de seguir em frente. Nesta geração, todos demos o nosso contributo para a nova imagem. Nunca mais seremos humilhados, submetidos e saqueados», disse Evo Morales, acrescentando: «Os estrangeiros nunca mais serão donos dos nossos recursos naturais.»

No dia em que se assinala a primeira tomada de posse de Evo Morales – 22 de Janeiro de 2006 – como presidente do país andino, bem como o fim da República e o nascimento do Estado Plurinacional da Bolívia – 22 de Janeiro de 2010 –, o presidente indígena dirigiu-se esta terça-feira ao plenário da Assembleia Legislativa, em La Paz, para apresentar um relatório que dá conta dos avanços económicos, sociais e políticos alcançados durante a sua governação, e fazer um balanço dos 13 anos da Revolução Democrática e Cultural.

Na sua intervenção, Morales destacou que, actualmente, a Bolívia não está exclusivamente dependente do gás, porque, quando os preços baixaram no mercado internacional, o país continuou na vanguarda do crescimento económico da América Latina.

«Ao longo da história nunca fomos primeiros em nada de bom. Vamos continuar a distribuir a riqueza, a lutar contra a discriminação, por educação de qualidade, emprego digno e habitação digna», disse, citado pela Prensa Latina, tendo prometido que os serviços básicos vão permanecer a preços acessíveis.

Avanços económicos

O presidente boliviano recordou que, em 2005, antes de tomar posse, o salário mínimo no país era de 440 bolivianos (56 euros), tendo hoje o valor de 2060 bolivianos (262 euros) – o que representa um aumento de 4,7 vezes. Outro indicador de avanço é o facto de, hoje, 62% da população ter rendimentos médios, quando em 2005 essa percentagem não passava dos 35% – isto num contexto em que a taxa desemprego baixou quase para metade da existente em 2005 (de 8,1% para 4,27%).

Evo Morales disse ainda que, em 2005, a Bolívia era o segundo país com maior dívida externa – 52% do produto interno bruto (PIB); na actualidade, com uma dívida de 24%, ocupa o sétimo lugar entre os países sul-americanos.

O grande aumento do PIB boliviano nos últimos 13 anos, a segunda taxa de inflação mais da região (1,51%) e a solidez do «colchão financeiro» do país (em que se incluem as reservas líquidas mais elevadas da América do Sul) foram outros aspectos destacados pelo chefe de Estado.

Melhor educação e saúde

No que respeita à Educação, destacou que a Bolívia é um dos países com maior nível de assistência escolar no Ensino Primário, tendo-se referido ainda à enorme redução nas taxas de abandono escolar, à aposta na formação de docentes e na construção de infra-estruturas educativas, indica a TeleSur.

Na área da Saúde, lembrou que, em 180 anos de vida republicana, foram construídas 2870 unidades de saúde, enquanto nos últimos 13 anos foram erigidas 1061, estando prevista a construção de 34 hospitais de primeiro nível, 17 de segundo e quatro de terceiro, além de outras infra-estruturas.

Destacou ainda, noutros sectores, o aumento nas ligações de gás domiciliário e do número de casas com acesso a electricidade e água potável, bem como a construção de 5000 quilómetros de estradas.

Prioridades para o futuro imediato

Evo Morales afirmou que o país vai continuar a apostar no investimento tecnológico, que «a batalha pela saída para o mar» continuará a ser uma exigência inquestionável, mas que o país está a reforçar a sua «ligação com o mundo tanto pelo oceano Pacífico como pelo Atlântico».

Defendeu, para além disso, o reforço da política contra o contrabando e da política de «tolerância zero» na luta contra a corrupção.

«Eu não pude estudar, mas cheguei à Presidência com a verdade e a honestidade», disse no final da intervenção, antes de assistir ao desfile cívico-militar de celebração dos nove anos da proclamação da Bolívia como Estado Plurinacional.

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