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Segundo parecer do Conselho de Opinião

RTP «não esteve frequentemente à altura das suas responsabilidades»

O Conselho de Opinião (CO) considerou que a RTP «não esteve frequentemente à altura das suas responsabilidades» no caso dos incêndios do ano passado e recomendou a definição de uma «matriz de informação que dê relevância à proximidade».

Créditos / ensina.rtp.pt

O parecer do CO ao Plano de Actividades e Investimento e Orçamento (PAIO) de 2018 da RTP, a que a Lusa teve acesso, faz seis recomendações à estação de rádio e televisão pública, a começar pela «definição de uma matriz de informação que, sem prejuízo das ligações à Europa e ao mundo, dê relevância à proximidade, servindo mais e melhor o País e os portugueses». 

Simultaneamente, defende que sejam tiradas lições das tragédias ocorridas em 2017 «para que melhor se possa cumprir a missão de serviço público» da RTP «em caso de catástrofe» e se crie um «manual de procedimento específico».

O órgão presidido por Manuel Coelho da Silva afirma que a RTP «não esteve frequentemente à altura das suas responsabilidades, não tendo conseguido fornecer informação sobre os incêndios e, sobretudo, informação útil que orientasse as pessoas que procuravam locais de refúgio e de fuga».

«Esta incapacidade, directamente constatada por membros do próprio Conselho de Opinião e confirmada em audição no CO por responsáveis da informação, resultou, além da falta de preparação específica, da ausência de uma matriz de informação de proximidade», salienta o órgão.

O CO lamenta ainda o facto de não serem apresentadas propostas concretas para um novo modelo de informação da empresa (rádio e televisão) enquanto informação de proximidade, o que poderia passar pelo compromisso expressamente assumido de abertura de delegações ou reforço das existentes nas diversas zonas do País.

«Um melhor serviço público informativo, próximo das populações, não se atinge exclusivamente com discussões de grupos de elite ou documentários informativos, sendo necessário melhorar a sua estratégia de produção da informação»

CONSELHO DE OPINIÃO DA RTP

Recorda que foi assinado um protocolo de colaboração com a Protecção Civil, mas «nenhum desenvolvimento posterior é assumido, como se, afinal, nada se tivesse passado».

O órgão aponta que «um melhor serviço público informativo, próximo das populações, não se atinge exclusivamente com discussões de grupos de elite ou documentários informativos, sendo necessário melhorar a sua estratégia de produção da informação».

Sobre o pessoal, o Conselho de Opinião constata que «o PAIO 2018, tal como os anteriores planos de actividades, é omisso relativamente à disponibilização e formação de meios humanos e técnicos capazes de fazer face a acontecimentos imprevistos, como as catástrofes, em que a rádio e a televisão públicas deveriam ter um papel insubstituível».

O CO apoia, entretanto, opções da RTP que considera positivas, como «a promessa de melhoria das condições de funcionamento dos centros regionais das regiões autónomas dos Açores e da Madeira», a «intenção de optimizar, no caso da RTP Açores, a rede de correspondentes nas ilhas, além das de São Miguel, Terceira e Faial, e o alargamento aos Estados Unidos e Canadá, através de acções de formação e de reequipamento, pese embora não se refira qual a estratégia que subjaz ao seu contributo para os programas de informação».

A nível de material, o órgão adianta que o «inventário de necessidade de investimentos em equipamento nas áreas de tecnologia, engenharia e de emissão, de que a empresa está carente, revela também casos de uma obsolescência assustadora».

Como tal, espera que o Conselho Geral Independente (CGI) e o futuro conselho de administração os considere como prioridades nas próximas linhas de orientação estratégica e no plano estratégico para o triénio 2018-2020.

No passado dia 25 de Janeiro, o CGI anunciou que, dos três elementos da anterior administração, convidou apenas o actual presidente Gonçalo Reis a apresentar um novo plano estratégico para a empresa.


Com Agência Lusa

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