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Ana Margarida de Carvalho indicada para o Conselho Geral Independente da RTP

A jornalista e escritora vai substituir o embaixador Seixas da Costa no orgão da televisão pública, que tem por competência a supervisão e fiscalização da actividade do conselho de administração da RTP.

Créditos / PCP

A indigitação será agora objecto de pronúncia por parte da Entidade Reguladora para a Comunicação Social (ERC) e de audição na Assembleia da República.

O Conselho Geral Independente (CGI) da RTP foi introduzido em 2014, pela mão do governo do PSD/CDS-PP, e é composto por seis elementos, dois deles indigitados pelo governo. PS, BE e PCP acusaram este novo organismo de não ser suficientemente representativo, tendo os comunistas apresentado uma proposta que o substituiria por um novo Conselho Geral, composto por um membro designado por cada bancada partidária do Parlamento, três membros escolhidos pelo governo, dois indicados pela comissão de trabalhadores da RTP, dois indicados pelo conselho de opinião e ainda duas personalidades de reconhecido mérito.

Ana Margarida de Carvalho foi jornalista da Revista Visão desde a sua fundação, onde permaneceu durante quase 25 anos, nos quais foi ocupando várias categorias profissionais: Grande-repórter, editora da secção Sociedade, cronista e crítica de cinema. Trabalhou durante mais de uma década na secção de Cultura. Viu várias das suas reportagens premiadas.

Autora de guiões cinematograficos (ficção e documentários), foi também por várias vezes júri do ICA nos concursos de produção de longa-metragem, documentários e escrita de guião.

A sua estreia na literatura deu-se em 2013 com a edição de Que Importa a Fúria do Mar, vencedor, por unanimidade, do Grande Prémio Romance e Novela da Associação Portuguesa de Escritores (APE), prémio que voltou a ganhar em 2016, com o seu segundo livro  Não se Pode Morar nos Olhos de um Gato.

A colectânea de contos, Pequenos Delírios Domésticos, de 2018, ganhou, por seu turno, o Grande Prémio APE do Conto Camilo Castelo Branco, tornando-se a primeira autora portuguesa a ganhar o prémio APE por três obras consecutivas.

O Gesto que Fazemos para Proteger a Cabeça, de 2019, foi finalista do Grande Prémio Romance e Novela da APE, do Prémio Oceanos e do Prémio Literário Europeu. O romance situa-se «durante os anos da Guerra Civil Espanhola, de que vamos tendo ecos nas histórias de fugitivos republicanos, ora salvos e escondidos, ora entregues às autoridades franquistas, o território que emerge nas páginas deste romance é o da raia alentejana», como o descreve o crítico literário José Mário Silva.

A escritora concebeu e organizou o folhetim literário Bode Inspiratório, durante o período mais crítico do confinamento em Portugal, em 2020, e que envolveu 46 escritores de língua portuguesa e 46 artistas plásticos (com a curadoria de Cristina Motta). O projecto multimédia online obteve larga repercussão mediática internacional, com tradução em seis idiomas.

Ainda este mês, Ana Margarida de Carvalho publicou a sua segunda colectânea de contos, Cartografias de Lugares Mal Situados, onde trabalha sobre cenários de guerra, que são, «por definição, lugares mal situados. Neles, as emoções são intensificadas, a generosidade, a compaixão, mas sobretudo a raiva, o medo, a crueldade e a bruteza». 

Enquanto eleita pela CDU para Assembleia Municipal de Lisboa, em 2017, ocupou-se de assuntos de Cultura da cidade, nomeadamente delineando, com diversos contributos, os termos do Festival Internacional Literário – Festival 5L.

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